Boletim Mensal - Setembro 2021

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Setembro 2021

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Reservatórios

O retorno das chuvas no Sul nas últimas semanas contribuiu para elevação da vazão e armazenamento deste subsistema. No entanto, tais chuvas, isoladamente, ainda não são suficientes para reversão do cenário crítico atual, sendo necessários novos eventos de chuvas nos próximos dias para recuperação das condições de armazenamento do sul.
Setembro é um mês em que tipicamente volta a ocorrer chuvas com maior frequência no subsistema Sul e quando pode voltar a ocorrer também precipitação em bacias do Sudeste/Centro-Oeste, sendo esperado que ocorram novas chuvas em ambos os subsistemas nas próximas semanas. No entanto, os volumes não são suficientes para reversão do cenário e previsões ainda não indicam claramente uma transição para o período úmido.
Apesar do leve aumento na frequência de chuvas, o armazenamento deve continuar em recessão em todos os subsistemas, especialmente em virtude da baixa umidade do solo. Uma possível mudança de tendência só será possível após a boa transição para o período úmido a partir da segunda quinzena de outubro.

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Trajetória Prevista de Armazenamento 
setembro/2021 a março/2022

Gráfico 1 – Limite Inferior e Superior

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Nível dos reservatórios por subsistema no dia 16/09/2021 e 16/09/2020.

Gráfico 2

Carga

Com a retomada da economia e a chegada da primavera no país, o mês de setembro deverá ser caracterizado por um consumo superior aos últimos meses. Vale destacar que esse comportamento é comum para a época do ano, uma vez que há um aumento de temperatura nas principais cidades do país. Essa tendência, como demonstrada no Gráfico 03, deverá permanecer no próximo mês e dependerá diretamente da atuação de ondas de calor nas grandes cidades do Brasil e do ritmo da retomada da economia após a aceleração da vacinação.
Ainda neste tema, é importante destacar que o Programa de Redução Voluntária pela Demanda (RVD) deverá contribuir para uma redução de consumo em no máximo 230 MW, nos horários de ponta no mês de setembro. O valor ainda é baixo para o potencial existente no mecanismo, no entanto, acompanhar essa variável será de fundamental importância nos próximos meses, uma vez que diversos segmentos industriais já sinalizaram uma possível adesão ao novo programa apresentado pelo Ministério de Minas e Energia (MME).
Na última semana do mês de julho, foi apresentada pela parceria entre a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a segunda Revisão Quadrimestral da Carga para o Planejamento Anual da Operação Energética (2021-2025). Os novos dados, influenciados especialmente pela retomada da atividade econômica no país, contribuíram para um aumento da expectativa de consumo durante todo o horizonte de estudo. Os novos números demonstram que houve um aumento percentual de 1,43% para 2021 quando comparado a última revisão, representando um aumento de 1 GW médio no consumo nacional. As demais taxas para o horizonte em análise podem ser encontradas no Gráfico 04.

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Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2021.

Gráfico 3

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Projeção de carga para o ciclo 2021-2025

Gráfico 4

Meteorologia

Após um período seco com pouquíssimas chuvas, ao longo das últimas semanas voltamos a observar frentes frias gerando volumes significativos de precipitação no subsistema Sul. Ao longo das próximas semanas são esperados novos eventos de chuva neste subsistema, com possibilidade de melhora em relação aos últimos meses.
Nesse contexto, o Sudeste passa a ser um ponto de grande atenção. Apesar de ser esperado que voltem a ocorrer chuvas em bacias mais ao norte deste subsistema ao longo do mês de setembro e outubro, mudando o cenário recente – sem chuvas –, ainda não há indicativo claro de uma transição ou previsão grandes volumes acumulados em bacias significativas para o armazenamento.
No longo prazo, projeções indicam ocorrência do fenômeno La Niña durante os próximos meses e o primeiro trimestre de 2022. Cenário que causa aumento das incertezas em relação à qualidade tanto da transição para quanto do próprio período úmido. Sendo assim, é importante monitorar as previsões de chuva para este subsistema, especialmente ao levar em conta que a recuperação dos reservatórios dependerá de um bom volume de chuvas durante todo o período úmido.

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Preços

Diante da continuidade da crise hídrica e ausência de chuvas significativas em grande parte do país, o preço do mês de agosto se manteve no teto regulatório em todos submercados (R$ 583,88/MWh).
Sem perspectiva de reversão deste cenário no curto prazo, o preço de setembro deverá seguir nesse mesmo patamar.
Como destacado ao longo do relatório, o mês de outubro deverá apresentar melhores volumes de chuvas quando comparado com os últimos meses. Essa característica, pode contribuir para que em alguns momentos, o preço da energia alcance patamares inferiores ao teto regulatório, segundo negociado em níveis ligeiramente inferiores aos atuais. No entanto, dado a criticidade do cenário existente e as expectativas para os próximos meses, há grande probabilidade de que o preço retorno novamente ao teto regulatório.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para setembro/2021

Gráfico 5: Fonte: Elaboração Exata Energia

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Histórico PLD 2018, PLD 2019 e PLD 2020

Gráfico 6: Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

Regras para RVD são apresentadas

As regras operacionais e de contabilização para o Programa de Redução Voluntária da Demanda (RVD) foram apresentadas nesta semana. O programa, sendo uma das estratégias do governo para o enfrentamento da crise, prevê que consumidores possam ofertar lances mínimos de 5 MW médios para o operador do sistema. O programa terá vigência até abril de 2022.

Retomada da economia é o principal risco para o cenário atual

Segundo especialistas, a retomada da economia e consequente aumento do consumo de energia poderá ser a principal variável para um risco de déficit de potência nos próximos meses. Os estudiosos afirmam ainda que, as medidas do CREG podem reduzir os possíveis impactos, mas alertam que não eliminam os riscos sistêmicos.

Flexibilizações na transmissão podem contribuir para o cenário atual

Com as principais bacias do Sudeste vivendo a pior crise hídrica dos últimos 90 anos, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou ao governo um novo plano para aumentar o escoamento de energia da região Nordeste para o Sudeste. O critério deve contribuir com a região durante o mês de Outubro, nos períodos mais críticos.

Em novo estudo do ONS, cenário energético preocupa

Nas últimas semanas, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou um novo estudo sobre as atuais condições energéticas do país e um prospectivo para os próximos meses. Segundo o ONS, será necessário agregar 5,5 GW médio de potência até o mês de novembro, reiterando as condições críticas em que o sistema se encontra.

Perspectivas de médio prazo

Reservatórios

Devemos atingir níveis críticos entre outubro e novembro, exigindo que o ONS opere nos piores níveis históricos. Com isso, nos próximos meses continuaremos dependendo de: (i) maximização do uso de térmicas e importação de energia; (ii) qualidade da transição do próximo período úmido; (ii) efeito da retomada da economia no consumo.

Gestão da Crise hídrica

A CREG (MP 1055/2021) continua tomando ações no sentido de gerenciar a crise hídrica. Como destaques do último mês estão os mecanismos de gestão pelo lado da demanda sendo eles: (i) O programa de Resposta Voluntária da Demanda (RVD) para o mercado livre e (ii) o programa de bônus financeiro ao consumidor regulado que atingir a meta de redução de 10% a 20%. Os resultados de tais programas ainda estão em avaliação.

Padrão climático 2021

Com o início da primavera, devemos começar a monitorar a qualidade da transição para o período úmido, com destaque para as chuvas na região sudeste, onde estão os principais reservatórios. Vale ressaltar que dificilmente as primeiras chuvas se reverterão imediatamente em recuperação de reservatórios, dada a condição atual de solo. No entanto, é fundamental que as chuvas se instalem rapidamente para reduzir os riscos à operação do sistema no decorrer de outubro e novembro, principalmente.