Boletim Mensal - Setembro 2020

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Setembro 2020

Boletim Mensal

Reservatórios

O mês de agosto/20, assim como os últimos meses, terminou seco para praticamente todas as regiões do país. O processo de drenagem continuou em todos os submercados e os níveis dos reservatórios reduziram, seguindo a tendência esperada para o período seco.
A primeira quinzena do mês de setembro/20 foi totalmente seca em todo o país e, com isso, os níveis de armazenamento mantiveram a tendência de redução. Para o restante do mês não é esperado mudanças abruptas das condições atuais e, assim, o deplecionamento deve persistir até novembro/20, como indicado no Gráfico 1.
Vale destacar que os reservatórios estão com condições favoráveis quando comparados aos últimos anos, contudo, é necessário monitoramento, pois a qualidade do início do período úmido é fundamental para determinar qual a trajetória de recuperação em 2021.
É possível que o período úmido se inicie com alguma defasagem no ciclo 2020-2021, no entanto, se confirmarmos um cenário de normalidade de chuvas de dezembro a março, há a expectativa de bons níveis de reservatório se comparado aos anos anteriores. Mas esse cenário dependerá da qualidade das chuvas no decorrer do verão.

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Trajetória Prevista de Armazenamento setembro/2020 a março/2021 – Limite Inferior e Superior

Gráfico 1

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Nível dos reservatórios por subsistema no dia 15/09/2019 e 15/09/2020

Gráfico 2

Carga

No Gráfico 3 é possível observar a projeção de carga para o ano de 2020, comparando-a aos últimos dois anos e com o que de fato foi realizado.
O consumo de energia permanece em patamares reduzidos frente ao observado antes da pandemia, no entanto, como pode ser observado no Gráfico 3, a partir de julho/20 e agosto/20, a carga retornou aos patamares observados em 2019, indicando a possibilidade de retomada da economia em uma trajetória em “V”. Já em setembro/20, há um indicativo de consumo superior ao de 2019, o que pode ser reflexo das altas temperaturas observadas no Sudeste/Centro-Oeste, para a época do ano. Sendo assim, ainda não é possível isolar quanto dessa recuperação é proporcionada pela retomada da economia e quanto se refere ao aumento das temperaturas. Ainda assim, o indicativo é favorável para uma retomada do consumo no decorrer do segundo semestre.
No dia 28 de julho a Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou a 2ª Revisão Quadrimestral de Carga para o ciclo 2020-2024, com o intuito de adequar as projeções de carga ao efeito da pandemia. Os valores aprovados podem ser observados nos Gráficos 3 e 4. Resumidamente, o efeito foi nulo, pois a projeção apresentada foi a manutenção da Revisão Extraordinária de Carga, apresentada em 26 de maio.

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Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2020.

Gráfico 3 | *Expectativa do Operador Nacional do Sistema.

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Projeção de carga para o ciclo 2020-2024.

Gráfico 4

Meteorologia

O final de agosto/20 e a primeira quinzena de setembro/20 foram predominantemente secos, o que pode ter alguma influência da instauração de La Niña fraca somada a presença de bloqueios atmosféricos no Oceano Pacífico Sul, que impedem a chegada de frentes frias no território brasileiro.
Os submercados Nordeste e Norte continuarão com padrão seco e as chuvas só devem voltar a partir de novembro/20, no decorrer da primavera.
O submercado Sudeste/Centro-Oeste continuará seco e quente até o fim da semana, momento que é esperado o enfraquecimento do bloqueio atmosférico alocado no Pacífico Sul e, consequente, chegada de frentes frias na região. As frentes frias reduzirão as temperaturas e poderão gerar precipitações fracas. As chuvas tendem a voltar com volumes mais expressivos a partir da segunda quinzena de outubro/20.
Por fim, o submercado Sul, mantém precipitações até o final de novembro/20 com intensidade abaixo média e irregulares, o que é típico para a região em anos de La Niña.

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Preços

O valor do PLD médio mensal de agosto/20 foi 85,15 R$/MWh para quase todos os submercados, com exceção do submercado Nordeste que apresentou um PLD médio de 68,28 R$/MWh.
Os preços de setembro/20 estão em tendência de subida desde o começo do mês, com expectativa de que a média mensal seja valorada, aproximadamente, a 90,00 R$/MWh para os submercados Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Norte. Para o submercado Nordeste a expectativa é que o preço médio seja valorado próximo a 70,00 R$/MWh.
É possível alguma elevação de preços entre outubro/20 e novembro/20, em caso de atraso de período úmido, mas não seria uma elevação comparável ao ocorrido em anos anteriores, quando se chegou a níveis de preços superiores a 500 R$/MWh. No entanto, assim que as chuvas de verão se regularizarem, espera-se reestabilização dos preços.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para setembro/2020

Gráfico 5 | Fonte: Elaboração Exata Energia

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Histórico PLD 2017, PLD 2018, PLD 2019 e trajetória de preços de 2020

Gráfico 6 | Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

De acordo com a CCEE, previsão anual do PLD Sudeste sobe para R$ 97,91/MWh

No último Info PLD, evento desenvolvido mensalmente pela CCEE que busca debater as principais variáveis atreladas à formação do preço da energia, foi verificado um aumento de 1,42%, chegando ao valor de R$
97,91/MWh. Segundo a instituição, o pequeno aumento está atrelado as chuvas da primeira quinzena de
agosto que não ocorreram dentro da normalidade do Sistema Interligado.

ONS espera queda de 1,6% na carga do mês de setembro

A expectativa é de que ocorra uma queda na demanda nos submercados Sudeste/Centro Oeste, de 2,8% e de 1,2% no Nordeste. Em contrapartida, no Sul e no Norte são esperados crescimentos de 0,6% e de 1,6%, respectivamente.

Mercado livre de energia passa de 10 mil agentes

Segundo a CCEE, mais de 10 mil agentes já participam do mercado de comercialização de energia elétrica no Brasil. A marca foi alcançada recentemente, quando a organização contabilizou 10.036 empresas e consumidores registrados.
Segundo levantamento da entidade, o acumulado do ano até julho teve a adesão de 1.165 agentes, com
uma média mensal de 166 registros contra 134 verificadas nos sete primeiros meses do ano passado

Segundo a EPE, pandemia postergou contratação de potência elétrica

A pandemia causou uma postergação de dois anos na necessidade de contratação de potência elétrica, passando de 2024 para 2026 segundo o novo caderno do Plano Decenal de Energia 2030. Para reduzir o nível de incerteza dos agentes sobre o planejamento do setor elétrico pós-pandemia, o órgão tem divulgado desde julho os cadernos em fases.

Perspectivas de Média Prazo

Reservatórios

Até o mês de novembro/20 é mantida a fase de maior deplecionamento dos reservatórios, o que pode ocorrer de forma mais acelerada nos próximos dois meses. A velocidade de deplecionamento será fundamental para balizar os preços para o início de 2021.

Período Úmido

O cenário meteorológico aponta para um período de La Niña fraca, que tende a tornar as chuvas da Região Sul mais irregulares e influenciar negativamente o começo do período úmido. Por ser fraca, a expectativa é que seus efeitos sejam mais brandos e não acarretem grandes impactos. Além disso, a perspectiva para 2021 ainda é de neutralidade para o decorrer do período úmido, o que ainda implica que o período úmido ocorra dentro da normalidade.

Carga

A expectativa é que a carga continue a trajetória de subida apresentada nos últimos dois meses e se aproxime dos valores de 2019. A elevação apresentada em setembro/20 foi acima do esperado, acompanhando os efeitos da liberação das restrições sociais e o aumento da temperatura nos últimos dias. Para apuração real do crescimento da carga e reestabelecimento econômico é necessário “expurgar” os efeitos de temperatura, o que deverá ficar mais claro em outubro/20.