Boletim Mensal - Outubro 2021

BoletimMensal

Outubro 2021

Boletim Mensal

Reservatórios

Bom volume de chuvas no SE/CO e Sul em outubro interrompeu cenário de queda contínua do armazenamento do Sudeste e elevou o armazenamento do Sul, sendo observado um aumento de 12,4 p.p. (18/10/2021) desde o início do mês.
Para as próximas semanas, continuidade das chuvas – embora não com a mesma intensidade – deve evitar um deplecionamento mais agressivo no SE/CO. No entanto, tendo em vista que ainda estamos no início da estação chuvosa e o solo permanece relativamente seco, é importante monitorar o impacto de eventuais períodos sem chuvas e notar que uma recuperação mais significativa dos reservatórios depende da continuidade da chuva nos próximos meses.
Apesar da melhora nas projeções de armazenamento em virtude do bom início da transição para o período úmido, é importante notar que reservatórios permanecem em níveis baixos e a frustração da chuva nos próximos meses ainda pode levar a cenários críticos. A recuperação do armazenamento do SIN dependerá da continuidade e do locacional das chuvas do período úmido, sendo importante monitorar tanto previsões quanto a realização de chuvas para avaliar evolução do cenário.

1

Trajetória Prevista de Armazenamento 
outubro/2021 a abril/2022

Gráfico 1 – Limite Inferior e Superior

2

Nível dos reservatórios por subsistema no dia 18/10/2021 e 18/10/2020.

Gráfico 2

Carga

Outubro tipicamente apresenta elevação do consumo em relação aos meses anteriores. Além disso, em virtude da flexibilização de restrições relacionadas à pandemia do novo coronavírus, projeções do operador no início do mês apontavam um aumento de aproximadamente 2 GWmed na carga do SIN. No entanto, cenário de baixas temperaturas no Sudeste/Centro-Oeste e Sul levaram à redução do consumo, com expectativa de fechamento do mês mais de 2 GWmed abaixo da projeção inicial e inferior até mesmo à carga observada em setembro.
Apesar disso, perspectiva de que próximos meses apresentem temperaturas mais altas deve resultar na elevação da carga, conforme esperado para essa época do ano. Nesse contexto, é importante ainda notar que para outubro já foram aprovados mais de 600 MW de ofertas do programa de Redução Voluntária da Demanda (RVD), que pode contribuir para redução do consumo, no entanto, não ao ponto de mudar tendência da carga.
Na última semana do mês de julho, foi apresentada pela parceria entre a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a segunda Revisão Quadrimestral da Carga para o Planejamento Anual da Operação Energética (2021-2025). Os novos dados, influenciados especialmente pela retomada da atividade econômica no país, contribuíram para um aumento da expectativa de consumo durante todo o horizonte de estudo. Os novos números demonstram que houve um aumento percentual de 1,43% para 2021 quando comparado a última revisão, representando um aumento de 1 GW médio no consumo nacional. As demais taxas para o horizonte em análise podem ser encontradas no Gráfico 04.

3

Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2021.

Gráfico 3 – *Expectativa do Operador Nacional do Sistema.

4

Projeção de carga para o ciclo 2021-2025.

Gráfico 4

Meteorologia

Chuvas da primeira quinzena outubro surpreenderam positivamente, com bons volumes observados tanto no Sul quanto no Sudeste/Centro-Oeste. Com gradual estabelecimento dos sistemas meteorológicos típicos do período úmido em curso, chuvas passaram a atingir bacias mais ao norte, com bons volumes já observados até mesmo na região do Grande e Paranaíba.
Ao longo das próximas semanas chuvas devem continuar atingindo bacias mais ao norte do Sudeste/Centro-Oeste, sendo esperada também diminuição dos volumes observados no Sul em novembro. Vale destacar que, em virtude da baixa umidade do solo, é necessário que haja continuidade das chuvas no Sudeste/Centro-Oeste para sustentar a elevação da ENA e recuperação do armazenamento.
No médio e longo prazo, o cenário climatológico gera aumento das incertezas. Apesar do estabelecimento do fenômeno La Niña, combinação com demais forçantes climatológicas pode favorecer ocorrência de chuvas no Sudeste/Centro-Oeste. De modo geral, modelos indicam um cenário favorável no próximo trimestre, mas é importante continuar monitorando previsões e realização da chuva. Além disso, é importante monitorar não somente o volume das chuvas, mas também seu locacional, tendo em vista necessidade de que bons volumes ocorram nas regiões onde estão os principais reservatórios do SIN (Grande e Paranaíba).

5

Preços

O PLD de setembro seguiu a tendência de alta já observada nos últimos meses, fechando o mês em R$ 577,37/MWh no SE/CO, S e N e R$570,39/MWh no NE. No mês de outubro, modelos reagiram fortemente ao retorno das chuvas e à melhora das previsões, bem como à diminuição na projeção de carga, reduzindo o PLD de todos os subsistemas para R$209,43/MWh na segunda revisão do mês (queda de 61,8% no SE/CO, S e N, e de 59,6% no NE em relação a preço da rv0).
Tal fator evidencia a sensibilidade dos modelos de formação de preço à condição hidrológica atual, fator que resultou na redução dos preços de médio e longo prazo também. No entanto, é importante notar que cenário permanece crítico, e operador deve continuar tomando medidas para preservar e recuperar os reservatórios do SIN (GFOM, importação de energia, etc). A combinação do PLD mais baixo concomitante à geração de custo elevado deve gerar uma nova alta nos valores de encargos.

6

Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para outubro/2021

Gráfico 5 | Fonte: Elaboração Exata Energia

7

Histórico PLD 2018, PLD 2019, PLD 2020 e PLD 2021

Gráfico 6 | Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

Regras para RVD são apresentadas

As regras operacionais e de contabilização para o Programa de Redução Voluntária da Demanda (RVD) foram apresentadas nesta semana. O programa, sendo uma das estratégias do governo para o enfrentamento da crise, prevê que consumidores possam ofertar lances mínimos de 5 MW médios para o operador do sistema. O programa terá vigência até abril de 2022.

Retomada da economia é o principal risco para o cenário atual

Segundo especialistas, a retomada da economia e consequente aumento do consumo de energia poderá ser a principal variável para um risco de déficit de potência nos próximos meses. Os estudiosos afirmam ainda que, as medidas do CREG podem reduzir os possíveis impactos, mas alertam que não eliminam os riscos sistêmicos.

Flexibilizações na transmissão podem contribuir para o cenário atual

Com as principais bacias do Sudeste vivendo a pior crise hídrica dos últimos 90 anos, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou ao governo um novo plano para aumentar o escoamento de energia da região Nordeste para o Sudeste. O critério deve contribuir com a região durante o mês de Outubro, nos períodos mais críticos.

Em novo estudo do ONS, cenário energético preocupa

Nas últimas semanas, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou um novo estudo sobre as atuais condições energéticas do país e um prospectivo para os próximos meses. Segundo o ONS, será necessário agregar 5,5 GW médio de potência até o mês de novembro, reiterando as condições críticas em que o sistema se encontra.

Perspectivas de médio prazo

Reservatórios

Início da transição para o período úmido sem atrasos – diferente do observado nos últimos anos – levou a leve melhora do cenário dos últimos meses. No entanto, reservatórios ainda se encontram em níveis alarmantes e recuperação depende da ocorrência de volume de chuvas consistente durante o período úmido. Com isso, devemos continuar a observar elevado despacho térmico nos próximos meses.

Gestão da Crise hídrica

Operador indicou que melhora do cenário hidrológico, medidas para maximização da oferta e redução do consumo resultaram em leve melhora dos cenários para os próximos meses, com redução substancial do risco de déficit de potência. No entanto, tendo em vista risco de eventuais frustrações das chuvas e diminuição da oferta, CREG (MP 1055/2021) já indicou a continuidade das medidas para flexibilizar operação e preservar reservatórios até fevereiro de 2022.

Padrão climático 2021

Transição para o período úmido já em outubro favorece diminuição da criticidade do cenário atual. Com isso, espera-se que a partir de agora chuvas passem a atingir com maior frequência e intensidade as regiões de bacias mais significativas para SIN, no SE/CO. Nesse contexto, é fundamental monitorar chuvas nas regiões do Grande e Paranaíba – onde estão os principais reservatórios do SIN – tendo em vista a necessidade de bons volumes e continuidade das chuvas nessa região nos próximos meses para reversão do cenário observado neste ano.