Boletim Mensal - Novembro 2021

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Novembro 2021

Boletim Mensal

Reservatórios

Após vários anos com ocorrência de atraso da transição para o período úmido, o retorno das chuvas já em outubro em 2021 e bom volume observado na região do Grande e Paranaíba desde então permitiu leve melhora dos níveis de armazenamento, atingindo valores próximos ao observado em 2020.
Ao longo de novembro, apesar do volume das últimas chuvas ter se caracterizado abaixo do previsto pelos modelos, a precipitação observada já foi suficiente para sustentar uma melhora ao longo do mês. Com perspectiva de continuidade da chuva para as próximas semanas, ainda há expectativa de replecionamento dos reservatórios até o final do mês. Finalmente, vale destacar que o locacional da chuva será muito importante, tendo em vista que deslocamento dos eventos de precipitação para regiões mais ao norte prejudicaria a recuperação dos principais reservatórios do SIN.
Apesar da melhora observada nos últimos meses ter impacto positivamente projeções de armazenamento, ainda há incertezas quanto às chuvas do próximo trimestre (dezembro, janeiro e fevereiro), sendo fundamental monitorar previsões e realização, cientes de que a frustração das chuvas nesse período prejudicaria a recuperação do sistema, gerando risco de atingirmos novamente níveis críticos ao longo de 2022.

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Trajetória Prevista de Armazenamento 
novembro/2021 a março/2022

Gráfico 1 – Limite Inferior e Superior

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Nível dos reservatórios por subsistema no dia 18/11/2021 e 18/11/2020.

Gráfico 2

Carga

Assim como em outubro, carga de novembro foi grandemente impactada pela temperatura observada, mais amena que o esperado para essa época do ano. Como resultado, as últimas projeções do operador apresentaram expectativa de que a carga mensal fique mais de 2 GWmed abaixo do previsto no PMO de novembro.
Para as próximas semanas operador ainda esperava temperaturas médias elevadas, fator que deve favorecer elevação da carga. Economicamente, os níveis de produção industrial seguem também relativamente elevados, no entanto, escassez de matéria prima que tem afetado diversos setores da economia pode afetar produção e, consequentemente, projeções de carga.
Até o fim de novembro a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE), devem apresentar as novas projeções de carga para o período de 2022-2026. Na última revisão apresentada, divulgada em julho de 2021, a retomada da atividade econômica no país contribuiu para um aumento da expectativa de consumo durante todo o horizonte de estudo. No entanto, com a deterioração do cenário econômico nos últimos meses e nas projeções de PIB, espera-se que o Operador faça alguma redução nas projeções de carga.

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Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2021.

Gráfico 3 | *Expectativa do Operador Nacional do Sistema.

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Projeção de carga para o ciclo 2021-2025.

Gráfico 4 | *Expectativa do Operador Nacional do Sistema.

Meteorologia

O mês de novembro apresentou bom volume de chuvas, com precipitação observada em todas as semanas, fator que tem favorecido a diminuição das temperaturas e aumento dos níveis de armazenamento. Apesar disso, volumes observados foram inferiores aos previstos no início do mês.
Para as próximas semanas, modelos continuam com previsão de chuvas nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Além disso, condições meteorológicas podem favorecer ocorrência de maiores volumes que o observado na primeira quinzena, no entanto, tendo em vista frustração das previsões nas últimas semanas, é importante monitorar realização.
No médio e longo prazo, ainda há uma grande incerteza em função do cenário climatológico. Com o cenário de La Niña outros fatores atmosféricos de menor previsibilidade se tornam mais relevantes, aumentando as incertezas das previsões. Nesse contexto, o maior risco se refere à região do Grande e Paranaíba: a frustração das chuvas nessa região – seja pelos maiores volumes de chuva se concentrarem em regiões mais ao norte ou pela ocorrência de bloqueios – pode impactar significativamente a recuperação de armazenamento e, consequentemente, os preços.

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Preços

Desde setembro, os modelos reagiram fortemente ao retorno das chuvas, sendo observada queda do PLD do Sudeste/Centro-Oeste de R$577,37/MWh em setembro para R$249,36/MWh no em outubro (queda de 57%). Ao longo de novembro a continuidade das chuvas contribuíram para que o preço alcançasse patamares ainda mais baixos, com expectativa de fechamento do mês em torno de R$ 93,00/MWh.
A queda de preços, no entanto, não reflete as reais condição do sistema, que ainda se encontra com níveis de armazenamento baixos. Tal comportamento, levou o operador a manter elevados níveis de despacho térmico por Garantia Energética (GE), contribuindo para o aumento substancial dos valores de Encargo de Serviço do Sistema (ESS). Nesse cenário, apesar de transição para o período úmido e melhora observada ao longo do último mês ter permitido redução da geração por GE, o operador ainda deve utilizar tal recurso em menor escala para preservar reservatórios.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para novembro/2021

Gráfico 5 – Fonte: Elaboração Exata Energia

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Histórico PLD 2018, PLD 2019 e PLD 2020

Gráfico 6 – Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

Com melhora das chuvas, PLD apresenta queda

Resultado da melhora dos eventos de precipitação nas últimas semanas, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) médio para o mês de outubro fechou em R$ 249,36/MWh, uma queda de 56,81% quando comparado ao mês anterior. O submercado Nordeste apresentou um PLD diferente para mês de outubro, alcançando o patamar de R$ 248,97/MWh.

Consumo apresenta queda ao longo de outubro

Resultado de temperaturas mais amenas no Sul e Sudeste, o consumo de energia nas primeiras semanas de outubro apresentou uma queda aproximada de 7,9% quando comparado com o ano passado. Com temperaturas mais amenas, o consumo de comércios e residências diminui de forma significativa, o que impacta diretamente na carga do sistema.

Para especialistas, risco de suprimento caiu de forma significativa

Para diversos especialistas do setor, com a melhora das chuvas no país, risco de suprimento de energia nos próximos meses caiu de forma significativa. Os especialistas afirmam ainda que as mudanças no âmbito da operação, como restrições de vazões e alteração na transmissão do Nordeste-Sudeste, auxiliaram o cenário vigente.

Expansão da geração acumula 5,1 GW no último mês

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), registrou uma expansão de 226,6 MW na capacidade de geração até meados de outubro. Os dados demonstram um aumento de 174,25 MW em novas plantas solares e 25 MW em fontes eólicas e termelétricas. A expansão acumulada em 2021 alcançou 5.138,9 MW de capacidade instalada.

Perspectivas de médio prazo

Reservatórios

Chuva observada desde outubro permitiu melhora dos níveis de armazenamento no sistema. No entanto, reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste ainda se encontram em níveis baixos, dependendo da chuva no restante do período úmido para uma recuperação estrutural que permita maior tranquilidade durante o próximo ano. Nesse contexto, uma eventual frustração das chuvas pode levar o sistema novamente a um grande estresse em 2022, impactando também preços.

Gestão da Crise hídrica

Com a melhora do cenário hídrico e a consequente disponibilidade de energia oriunda do Norte, houve uma redução do despacho térmico por Garantia Energética nas últimas semanas. No entanto, o cenário ainda apresenta riscos e o operador já sinalizou que continuará a usar tal recurso em momentos de necessidade. Além disso, ao longo do período úmido novas medidas operativas devem ser tomadas para preservar e recuperar reservatórios.

Padrão climático 2021/22

A transição para o período úmido surpreendeu positivamente, com bom volume de chuvas no SE/CO em outubro e novembro. Apesar disso, fatores climáticos geram incerteza quanto à qualidade do restante do período úmido, especialmente em relação ao locacional das chuvas, sendo importante monitorar os volumes realizados na região do Grande e Paranaíba tendo em vista sua importância para o armazenamento do SIN. Além disso, é importante notar a importância da continuidade das chuvas, sendo que a ocorrência de janelas de muitos dias sem precipitação pode prejudicar a recuperação dos reservatórios.