Boletim Mensal - Março 2022

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Março 2022

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RESERVATÓRIOS

Durante o mês de março chuvas se concentraram em regiões mais ao sul do país, diminuindo a taxa de recuperação dos reservatórios observada nos últimos meses. Apesar disso, o armazenamento do SIN e, em especial, do SE/CO seguiu em elevação, atingindo patamares consideravelmente acima do observado nos últimos anos.
Observando as projeções do Gráfico 1 é possível perceber que, apesar da perspectiva de redução do volume de chuvas conforme caminhamos para o fim do período úmido, ainda há expectativa de continuidade da elevação dos níveis de armazenamento, especialmente levando em conta a disponibilidade de energia do Norte e Nordeste (v. Gráfico 2).
Com a recuperação dos reservatórios propiciada pelo bom volume de chuvas do período úmido e a perspectiva de continuidade da melhora no curto prazo, níveis de armazenamento geram relativa tranquilidade para o período seco. Por outro lado, conforme o Gráfico 2 deixa evidente, o subsistema Sul permanece como ponto de atenção, tendo em vista que ainda está com níveis de armazenamento próximos do volume mínimo operativo e, caso tal situação não se reverta, a necessidade de energia de outros subsistemas para o preservar pode penalizar o armazenamento do Sudeste/Centro-Oeste.

1

Trajetória Prevista de Armazenamento março/2022 a julho/2022 – Limite Inferior e Superior

Gráfico 1

2

Nível dos reservatórios por subsistema no dia 17/03/2022 e 17/03/2021.

Gráfico 2

Carga

Diferentemente do observado desde o fim de 2021, o mês de março apresentou temperaturas elevadas, que levaram ao aumento da carga do SIN, especialmente no Sudeste/Centro-Oeste e Sul. Com isso, projeções para o restante do mês indicam que carga de março deve fechar o mês próxima do esperado inicialmente.
Apesar disso, é importante lembrar que o ritmo de recuperação econômica no país segue abaixo do esperado pelo operador no início do ano, influenciado também pela desaceleração da produção industrial em função da escassez de matérias primas e pelo cenário de incerteza internacional. Todos esses fatores contribuem para redução da carga do SIN.
Até o dia 10 de abril a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) devem apresentar a 1ª Revisão Quadrimestral de Carga para o período de 2022-2026. Dado o cenário econômico atual, é possível que as projeções apresentem alguma redução da carga prevista em relação à atual. No entanto, operador ainda tem indicado incerteza em relação à atualização das projeções, sendo este um importante ponto de monitoramento nas próximas semanas.

3

Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2022.

Gráfico 3 - *Expectativa do Operador Nacional do Sistema.

4

Projeção de carga para o ciclo 2022-2026.

Gráfico 4

METEOROLOGIA

Diferentemente do padrão observado nos últimos meses, a atuação de sistemas de alta pressão diminuiu o volume de chuvas em bacias mais ao norte do Sudeste/Centro-Oeste durante o mês de março. Apesar deste ser um fator que afeta negativamente a taxa de recuperação de armazenamento, a mudança observada permitiu uma leve melhora do cenário hidrológico de bacias mais ao Sul do país, onde o volume de chuvas havia ficado abaixo da média em praticamente todo período úmido até então.
Para o restante do mês, modelos preveem o avanço de algumas frentes frias que devem contribuir com mais chuvas tanto no Sul quanto no Sudeste/Centro-Oeste, podendo ainda atingir as bacias do Grande e Paranaíba, mas sem expectativa de grandes volumes como o observado em janeiro e fevereiro.
A partir de agora, conforme nos aproximamos do período típico de fim do período úmido, espera-se que o padrão de chuvas concentradas mais ao sul do país seja cada vez mais presente. Por outro lado, no longo prazo, projeções do pacífico seguem indicando um cenário de neutralidade ou de uma La Niña fraca, fator que diminuí as chances de ocorrência de chuvas acima da média no subsistema Sul e em bacias mais ao sul do Sudeste/Centro-Oeste.

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Preços

O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) médio do mês de fevereiro se estabilizou no piso regulatório (R$ 55,70/MWh) para todos os submercados. Os números são resultados dos bons volumes de chuva que marcaram o começo do ano, contribuindo para que os principais reservatórios alcançassem níveis de armazenamento significativos. Para o mês de março, ainda que um eventual aumento de carga possa ser verificado, não há expectativa de mudança dessa conjuntura de preços.
Nesse contexto, a evolução dos reservatórios do Sul segue como ponto de atenção. Devido ao baixo volume de chuvas na região nos últimos meses, os reservatórios ainda estão com volumes próximos do mínimo operativo. Caso tal situação não se reverta, a deterioração dos reservatórios pode contribuir para elevação de preços durante o período seco ou, caso os preços se mantenham baixos, deve levar à geração fora da ordem de mérito – algo que já que tem ocorrido.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para março/2022

Gráfico 5 - Fonte: Elaboração Exata Energia

7

Histórico do PLD de 2019 a 2022

Gráfico 6 - Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

Com a continuidade das chuvas ao longo dos últimos meses, os preços para os produtos de curto prazo seguiram a tendência de queda já destacada anteriormente, se estabilizando próximo ao piso regulatório. Os eventos de precipitações contribuíram para que os reservatórios alcançassem níveis elevados, o que deverá colaborar para que os preços dos próximos meses permaneçam próximos ao piso regulatório. Preços tendem a se elevar a partir da transição para o período seco e a qualidade das chuvas de sul definirão esses níveis. Ainda assim, níveis de preços do período seco tendem a ser inferiores ao observado nos anos anteriores, em função dos níveis de armazenamento que já atingimos.

Já os preços para os produtos de longo prazo apresentaram uma leve tendência de alta no último mês. A dinâmica dos produtos em questão é regida em grande parte pelo cenário regulatório, com a abertura da consulta pública para o aprimoramento dos modelos de operação, além da relação entre oferta e demanda dos players, dada a baixa liquidez dos produtos. Com relação a mudança dos modelos, os resultados iniciais demonstram que os preços para os próximos anos terão um viés de alta. Esse cenário contribuiu para que o preço da energia com realização em 2023 exibisse a maior alta entre os preços.

Já no cenário regulatório, o tema de abertura de mercado ganhou destaque no último mês. Com a publicação de um estudo por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre diversos tópicos para a abertura do mercado, o tema deverá passar por consulta pública ainda no primeiro semestre de 202, conforme apresentou o Ministério de Minas e Energia (MME). De forma paralela, o Projeto de Lei 414 que trata sobre a modernização do mercado de energia também avançou na Câmara dos Deputados.

PERSPECTIVAS DE MÉDIO PRAZO

Reservatórios

Apesar da redução do volume de chuvas observada em março, reservatórios seguiram em elevação, levando o SIN a níveis relativamente confortáveis para o período seco. No entanto, o Sul permanece como ponto de atenção, tendo em vista que apesar da recuperação observada nas últimas semanas, o armazenamento deste subsistema ainda está próximo do mínimo operativo e já demanda geração fora da ordem de mérito para sua preservação.

Padrão climático 2022

Projeções do pacífico seguem indicando continuidade do La Niña em 2022, com possibilidade de transição para neutralidade no segundo trimestre do ano. Apesar do fenômeno do La Niña isoladamente não ser suficiente para dar uma perspectiva clara de cenários, cabe notar que a continuidade do mesmo durante o período seco diminuí a chance de ocorrerem chuvas acima da média no subsistema Sul, fator especialmente relevante caso não ocorra uma recuperação deste subsistema nos próximos meses.

Aprimoramento de Modelos

No próximo mês devem ser divulgados os resultados da Consulta Pública 121/2022, a respeito dos aprimoramentos propostos para os modelos de formação de preço. As mudanças propostas visam aprimorar a previsão de cenários de vazão do modelo de médio/longo prazo e aproximar a percepção de risco dos modelos conforme a adotada pelo ONS na operação do sistema. Se aprovadas, tais mudanças entrariam em vigor em janeiro de 2023 e, de modo geral, tendem a causar uma elevação dos preços.