Boletim Mensal - Maio 2021

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Maio 2021

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Reservatórios

Com a consolidação do período seco, houve um contínuo deplecionamento dos principais reservatórios do país. O norte ainda se encontra em sua fase final da estação de chuvas, mas não se esperam grandes volumes a partir de agora. Destaca-se o cenário ainda crítico na região sul, que continua com chuvas abaixo da média desde fevereiro, o que tem demandado importação de energia da região sudeste.
Para as próximas semanas, o padrão deve melhorar com frentes frias ganhando mais força sobre o Sudeste/ Centro-Oeste e Sul, contribuindo para eventos pontuais de precipitação. Para os demais submercados, a condição de período seco deve perdurar nas próximas semanas.
Projeções indicam que 2021 poderá encerrar como o pior nível de reservatório do histórico. Por isso, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) ampliou a possibilidade de adoção de medidas excepcionais, podendo contribuir para um maior acionamento de usinas térmicas, bem como permitindo importação de energia de Uruguai e Argentina. Tais medidas visam minimizar o uso dos reservatórios hoje e evitar uma aceleração do deplecionamento até novembro.

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Trajetória Prevista de Armazenamento 
maio/2021 a novembro/2021

Gráfico 1 – Limite Inferior e Superior

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Nível dos reservatórios por subsistema no dia 16/05/2021 e 16/05/2020.

Gráfico 2

Carga

No Gráfico 3 é possível observar a projeção de carga para todo o horizonte de 2021, além da expectativa para o mês de maio.
Seguindo a tendência de retomada econômica já apresentada nos últimos meses, o consumo de energia para o mês de maio poderá ser superior a projeção realizada na última revisão de carga. Essa característica, se deve em grande parte ao consumo do segmento industrial, tendo como destaque as indústrias de metalurgia e produção de metais, fortemente influenciadas pela alta do dólar e pela economia mundial. Para os próximos meses, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a projeção de consumo fica condicionada as variáveis de grandes incertezas, como o ritmo de vacinação da população, o valor da moeda nacional e a escassez de insumos enfrentados em alguns segmentos.
Para fins de comparação e análise do cenário de pandemia, o mês de abril de 2021 apresentou um aumento de 13,4% no consumo de energia quando comparado ao mesmo período do último ano. Vale lembrar, como também destacado no Gráfico 3 desta seção, que o mês de Abril foi o período mais impactado pelas restrições da pandemia em 2020.
No dia 24 de março de 2021, foi divulgada ao mercado a Primeira Revisão de Carga Quadrimestral para o ciclo de planejamento da operação de 2021 a 2025. Os dados, como destacados na Gráfico 04, demonstram uma ligeira expectativa de redução do consumo no país quando comparada as projeções anteriores. As principais justificativas estão associadas ao arrefecimento do ritmo de recuperação, redução da expectativa de produção industrial e o alto nível de incerteza no cenário econômico.

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Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2021.

Gráfico 3 | *Expectativa do Operador Nacional do Sistema. z

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Projeção de carga para o ciclo 2021-2025.

Gráfico 4 | *Expectativa do Operador Nacional do Sistema. z

Meteorologia

Marcado pela forte ausência de precipitações sobre os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Sul, o mês de maio caminha para seu encerramento consolidando-se como um típico mês do período seco. Essa característica de baixos volumes de chuvas, muito evidente nas regiões destacadas anteriormente, também foi observada no Norte, que mesmo estando no final de sua estação chuvosa, exibiu uma gradual redução das precipitações ao longo do mês e deve se encerrar abaixo da média histórica.
Para as próximas semanas, a retomada das frentes frias sobre o Sudeste e Sul do país podem contribuir para eventuais volumes de chuvas nestas regiões. É importante destacar que a atuação destas frentes frias, estão diretamente associadas ao enfraquecimento da La Ninã, e que em função disso, podem contribuir para que este cenário perdure até julho. Os eventos de precipitação não serão capazes de reverter o cenário hidrológico existente nos principais reservatórios do país, mas poderão auxiliar no sentido de reduzir o deplecionamento observado hoje.
Para o submercado Nordeste (especificamente, bacia do São Francisco), o atual padrão seco deverá continuar, o que é uma condição típica para esta época do ano. O cenário é semelhante para o Norte nas próximas semanas, com a expectativa de início de período seco também nessa região.

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Preços

No mês de abril, os preços médios para os submercado Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, foram, respectivamente, R$ 132,63/MWh (21,66% quando comparado ao mês anterior), R$ 136,92/MWh (24,16%), R$ 88,55/MWh (13,50%) e R$ 77,27/ MWh (39,05%).
Para o mês de maio de 2021, seguindo a tendência de alta nos preços em função do cenário hidrológico existente, os preços deverão apresentar um aumento quando comparados ao mês anterior. A expectativa para o submercado Sudeste/Centro-Oeste, deverá ser próximo de R$ 215,00/MWh, com os demais submercados exibindo valores bem próximos ao destacado. Em função deste aumento do PLD, podemos esperar para maio uma diminuição do valor do Encargo de Serviço do Sistema (ESS), uma vez que maior parte do custo de acionamento de térmicas está sendo coberto pelo PLD, se comparado aos meses de janeiro a abril.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para abril/2021

Gráfico 5 | Fonte: Elaboração Exata Energia

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Histórico PLD 2018, PLD 2019 e PLD 2020

Gráfico 6 | Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

Mês de Abril exibe queda no volume do Sudeste/Centro-Oeste

Com o fim do último mês, o volume final dos reservatórios no Sudestes/Centro-Oeste apresentou uma queda expressiva quando comparada ao mesmo mês do ano anterior. Segundo as informações divulgadas, a diminuição no volume é de 20 pontos percentuais. Essa característica, contribuiu para um aumento dos preços de energia no mercado.

Segundo ONS, não teremos racionamento em 2021

Em evento com agentes do setor, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) descartou a possibilidade de um possível racionamento energético em 2021. Vale destacar que, com o fim de um período úmido marcado por poucos eventos de precipitações, o último trimestre foi caracterizado como o pior período hidrológico do histórico de 91 anos.

Valor da repactuação do risco hidrológico (GSF) sofre alterações

Com base em novos cálculos desenvolvidos pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o montante financeiro considerado para compensação dos agentes sofreu uma elevação de R$ 15,7 bi para R$ 19,9 bi. Essa elevação está atrelada a alteração promovida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de considerar como energia não repactuada toda a garantia física das usinas antes de 2016.

Aneel anuncia novas medidas para diminuir as tarifas

No último dia 22 de abril, por meio de reunião pública virtual, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) anunciou um pacote de medidas para amortização tarifária em 2021. As tarifas, que apresentavam um reajuste para o ano de 18,5% na média nacional, receberão R$ 18,83 bilhões em recursos para suas respectivas amortizações ao longo do ano vigente. Segundo a Agência, espera-se que os reajustes em 2021 fiquem inferiores a 10%.

Perspectivas de médio prazo

Reservatórios

Com a frustração do período úmido e a atual conjuntura hidrológica nas principais bacias do sistema, confirma-se a expectativa de que o nível dos reservatórios sejam baixos em todo 2021, o que deve propiciar um alto nível de volatilidade nos preços ao longo do segundo semestre de 2021. Dependeremos de: (i) acionamento de térmicas; (ii) chuvas na região sul e (iii) boa performance das eólicas no decorrer do segundo semestre para minimizar o deplecionamento dos reservatórios até novembro/21.

Geração Fora da Ordem de Mérito

A decisão do CMSE para despachar usinas termelétricas fora da ordem de mérito (com custo maior que o PLD) e importação de energia do Uruguai e Argentina continuará contribuindo para a existência de Encargos para todos os consumidores (Livres e Cativos). Tal decisão reflete a preocupação dos agentes reguladores quanto a situação atual do sistema e no horizonte de médio prazo.

Padrão climático 2021

Devido a atual condição do sistema, será fundamental monitorar o cenário meteorológico no submercado Sul, pois essa será a única região que se pode esperar algum evento de precipitação mais relevante no decorrer do período seco. Há uma tendencia de não haver fenômenos climáticos relevantes no segundo semestre, o que pode ajudar a regularizar as chuvas na região sul. No entanto, a previsibilidade tende a ser baixa. Espera-se que com o fim da La Niña, possamos observar o retorno gradual das chuvas no sul, o que será fundamental para o período seco e transição para o próximo período úmido.