Boletim Mensal - Junho 2022

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Junho 2022

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Reservatórios

Conforme esperado no período seco, o mês de junho foi marcado pela ausência de chuvas significativas no Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Apesar disso, ocorreu deplecionamento mais intenso dos reservatórios apenas no Nordeste, enquanto nos demais subsistemas o armazenamento permaneceu aproximadamente estável. Por outro lado, novas chuvas no subsistema S contribuíram para elevação ainda maior da energia armazenada neste subsistema.
Ao longo de julho já há expectativa de aumento da taxa de deplecionamento dos reservatórios, que deve se acentuar no decorrer no segundo semestre, causando elevação dos preços. No entanto, a recuperação observada no período úmido de 2022 gera relativa tranquilidade para os próximos meses, evitando cenários de estresse como o observado nos últimos anos.
Diante desse cenário, o foco das análises se volta para a transição para o próximo período úmido, quando a elevação das temperaturas e, consequentemente, da carga passam a demandar maior uso dos reservatórios. Nesse contexto, um atraso no retorno das chuvas pode levar a cenários de estresse – mesmo que muito menos agudos que o observado no histórico recente.

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Trajetória Prevista de Armazenamento junho/2022 a outubro/2022

Gráfico 1

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Nível dos reservatórios por subsistema no dia 19/06/2022 e 19/06/2021

Gráfico 2

Carga

Assim como observado nos últimos meses, junho foi marcado pela ocorrência de temperaturas significativamente baixas, que contribuíram para redução da carga do SIN. Além disso, apesar da melhor do cenário econômico do setor comercial e de serviços e das projeções do PIB para 2022, a alta da inflação e o baixo desempenho do setor industrial são fatores que contribuem para redução da carga. Diante desses fatores, a perspectiva do operador é de que a carga de junho fique aproximadamente 1,6 GWmed abaixo do previsto na 1ª Revisão Quadrimestral de 2022, atingindo patamares inferiores ao observado também no ano de 2021.
Por fim, vale lembrar que as projeções de consumo para os próximos anos foram apresentadas na 1ª Revisão Quadrimestral de Carga em abril/22. Na época, o arrefecimento da economia em relação ao previsto no início do ano, a alta da inflação, os gargalos na cadeia de suprimentos e o elevado nível de incertezas no cenário internacional contribuíram para redução das projeções de carga. Nos últimos meses, apesar da melhora das projeções do PIB de 2022, observou-se também a deterioração de outros indicadores, com aumento da inflação tanto no cenário nacional quanto internacional, bem como continuidade das incertezas relacionadas ao conflito entre Rússia e Ucrânia e aos impactos da COVID-19 no setor produtivo. Ao longo dos próximos meses será importante monitorar a evolução de cenários, especialmente conforme nos aproximamos da 2ª Revisão Quadrimestral de Carga (ago/22).

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Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2022

Gráfico 3 - *Expectativa do Operador Nacional do Sistema

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Projeção de carga para o ciclo 2022-2026

Gráfico 4

Meteorologia

O mês de junho apresentou um padrão de chuvas típico do período seco, com maiores volumes concentrados no subsistema Sul. Assim, apesar da ausência de chuvas significativas nos demais subsistemas, o volume e frequência das chuvas no Sul foi suficiente para manter o PLD no piso regulatório.
Para os próximos dez dias, ainda há previsão de que novas frentes frias produzam chuvas no Sul, com incerteza quanto ao locacional dos maiores volumes. É importante lembrar que a concentração da chuva em regiões do extremo sul do país pode acarretar menor reflexo na energia natural afluente (ENA) deste subsistema, sendo este um importante ponto de monitoramento ao longo dos próximos meses.
Para os demais subsistemas, a perspectiva é majoritariamente de continuidade do cenário seco. A exceção pode ocorrer para as bacias do sul do subsistema Sudeste/Centro-Oeste (Paraná e Paranapanema), que podem também ser atingidas por frentes frias e causar impacto na ENA.

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Preços

Os níveis de armazenamento atuais, a carga reduzida e a elevada ENA do Sul levaram a continuidade do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) no piso regulatório (R$55,70/MWh) em maio. Em junho, apesar do preço ter saído momentaneamente do piso, a perspectiva ainda é de que o fechamento do mês permaneça próximo do limite regulatório.
Conforme avançamos no período seco, aumentam as chances de elevação do PLD, mas é importante monitorar a ocorrência de novas chuvas no S, que podem contribuir para manter o preço em patamares reduzidos por mais tempo. Diante do cenário favorável atual, o risco de estresse de preços se concentra no último trimestre do ano, dependendo da qualidade das chuvas na transição para o período úmido, sendo este um importante ponto de monitoramento.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para junho/2022

Gráfico 5 - Fonte: Elaboração Exata Energia

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Histórico do PLD de 2019 a 2022

Gráfico 6 - Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

Maio fecha com PLD no piso regulatório

Seguindo a tendência já observada desde o início do ano, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) médio para o mês de Maio se encerrou no piso regulatório (R$ 55,70/MWh). O cenário é resultado do excelente período úmido que marcou a transição entre os anos de 2021 e 2022, podendo contribuir com esse patamar de preços durante o próximo mês.

Bandeira verde para o mês de junho

Com o fim da Bandeira de Escassez Hídrica durante o mês de abril, junho se inicia com a bandeira verde para todos os consumidores pertencentes ao ambiente
regulado. Vale destacar que o tema está em consulta pública por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), devendo apresentar um aumento dos valores pagos nos próximos meses.

Após decisão, desestatização da Eletrobras retoma

Uma das principais iniciativas do Governo Federal ganhou notoriedade no último mês. Com a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) pela
aprovação do modelo de capitalização da Eletrobras, a empresa retoma a sua pauta de desestatização. Ainda no último mês, a empresa realizou o pedido de aumento de capital para as instituições reguladoras.

Mercado livre lidera expansão da geração

Em novo estudo publicado pela Associação Brasileira de Comercialização de Energia (Abraceel), a participação do mercado livre na expansão do parque de
geração tem ganhado cada vez mais notoriedade. Segundo informações divulgadas, a expansão da geração em função do ACL passou de 34% em 2019 pra 83% em 2022.

PERSPECTIVAS DE MÉDIO PRAZO

Reservatórios

Apesar do início do período seco, o cenário meteorológico e econômico tem contribuído para evitar um deplecionamento muito agressivo dos reservatórios. Ao longo dos próximos meses a taxa de queda do armazenamento deve aumentar, sendo que a evolução dos reservatórios será um importante balizador para o preço do último trimestre e para 2023. Apesar disso, os bons níveis atuais devem evitar grandes estresses nos próximos meses.

Padrão climático 2022

Projeções do pacífico indicam um cenário de La Niña fraca ao longo dos próximos meses, cenário que pode desfavorecer a ocorrência de chuvas acima da média no subsistema Sul e afetar a transição para o início do período úmido. o que deve ser monitorado.

Evolução da Carga

O trimestre abril-junho foi marcado por baixas temperaturas que contribuíram para redução significativa da carga do SIN, que fechou abaixo do previsto pelo operador nesses meses. Além disso, mesmo com a recuperação acima do esperado de alguns setores econômicos, o baixo desempenho da indústria, a alta inflação e incerteza no cenário internacional também contribuem para redução da carga. Vale notar ainda que o crescimento da geração distribuída pode ser outro fator que tem contribuído para redução da carga para o qual ainda não há monitoramento. Todos esses fatores agregam incertezas às projeções de carga para os próximos meses, sendo este um importante ponto de monitoramento, especialmente conforme nos aproximamos da próxima revisão quadrimestral, que deve ser divulgada até 10 de agosto.