Boletim Mensal - Junho 2021

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Junho 2021

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Reservatórios

Seguindo sua tendência climatológica, o mês de junho tem exibido um comportamento típico da época do ano, apresentando alguns eventos de precipitações sob a Região Sul e Sudeste, mas que não colaboram para a manutenção dos níveis dos reservatórios. Os níveis das principais bacias continuaram o processo de deplecionamento e corroboram o cenário crítico destacado em outras edições deste relatório.
Para os próximos meses, ainda são esperadas chuvas mais consistentes na região sul e ainda não se descarta, especialmente em julho, a ocorrência de grandes eventos de chuva no sul, como ocorrido em anos anteriores. Ainda assim, o indicativo é de que seriam eventos pontuais que não mudariam o cenário de forma estrutural e dependeremos da transição para o período úmido, o que só deve ocorrer em outubro.
Por fim, outra variável de grande relevância e que tem uma influência direta sob os reservatórios, são as atividades regulatórias desenvolvidas e analisadas pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Desde o começo do ano, o CMSE desenvolveu uma série de iniciativas buscando amenizar o deplecionamento dos reservatórios durante o período seco. Essas medidas, como já sinalizadas por estudos do operador e entidades ambientais, poderão ser intensificadas nos próximos meses.

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Trajetória Prevista de Armazenamento 
junho/2021 a dezembro/2021

Gráfico 1 – Limite Inferior e Superior

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Nível dos reservatórios por subsistema no dia 16/06/2021 e 16/06/2020.

Gráfico 2

Carga

No Gráfico 3 é possível observar a projeção de carga para todo o horizonte de 2021, além da expectativa para o mês de junho.
O consumo de energia elétrica quando comparado aos meses anteriores sofreu uma leve queda em seus patamares. Essa característica, dentro da normalidade para o período de inverno no país, está alinhada com as projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), e não indicam uma atenuação da atividade industrial e retomada da economia no país. Os segmentos com maiores altas no mês, influenciados sobretudo pela exportação e a alta do câmbio, foram os setores de metalurgia, produção de metais, alimentícios e mineração.
No atual cenário de crise energética, o consumo também terá um papel fundamental para garantir a estabilidade e segurança energética do sistema. Vale destacar que uma das possíveis medidas de um racionamento, sendo também a mais aceita pelos especialistas no país, está atrelada aos mecanismos de resposta pela demanda, contribuindo para que grandes consumidores possam deslocar o seu perfil de consumo em determinados períodos do dia. Os estudos sobre o tema ainda são preliminares, mas há uma clara tendência da utilização da estratégia e dos possíveis impactos no consumo até o final de 2021.
No dia 24 de março de 2021, foi divulgada ao mercado a Primeira Revisão de Carga Quadrimestral para o ciclo de planejamento da operação de 2021 a 2025. Os dados, como destacados na Gráfico 04, demonstram uma ligeira expectativa de redução do consumo no país quando comparada as projeções anteriores. As principais justificativas estão associadas ao arrefecimento do ritmo de recuperação, redução da expectativa de produção industrial e o alto nível de incerteza no cenário econômico.

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Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2021.

Gráfico 3 – Expectativa do Operador Nacional do Sistema.

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Projeção de carga para o ciclo 2021-2025.

Gráfico 4

Meteorologia

O mês de junho foi caracterizado por eventos de precipitação sob a região Sul e Sudeste, influenciados pela atuação de determinadas frentes frias nas regiões. No entanto, dada a qualidade das chuvas e sua disparidade de locais, não houve uma mudança do padrão já observado no cenário hidrológico.
Para o Sudeste e Sul, não há a expectativa de mudança no padrão de chuvas até o final deste mês, continuando com um cenário desfavorável para as a atuação de precipitações nessas regiões. As novas atualizações meteorológicas não indicam chuvas relevantes para o Sudeste, o que é típico para o período, enquanto para o Sul, ainda não se descarta a ocorrência de bons eventos de chuvas, mas se reforça o indicativo de eventos pontuais e sem continuidade.
Já para o Nordeste, a condição de tempo seco deve continuar sobre a região. Essa condição, embora contribua para a drenagem dos reservatórios, matem um perfil de tempo favorável para a geração eólica. Nos próximos meses, a geração eólica ganhará ainda mais destaque nesta região. Por fim, no submercado Norte, em função da região estar em seu período sazonal seco, não se esperam volumes de chuvas para as próximas semanas, seguindo com o contínuo deplecionamento dos reservatórios.

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Preços

O PLD do mês de maio, seguindo o cenário de crise energética vivenciado no país, foi caracterizado por um aumento expressivo em todos os submercados. Os preços para o Sudeste/Centro-Oeste alcançaram o valor de R$ 218,70, indicando uma alta de 64,99% quando comparado ao mês anterior. Já o Sul, apresentou um PLD de R$ 226,16 (alta de 65,18%), Nordeste R$ 189,32 (alta de 113,80%) e Norte R$ 189,12, (alta de 144,75%).
Para o mês de junho, a tendência de alta nos preços também será observada, com uma expectativa de fechamento do mês próximo a R$ 335,00 para o submercado Sudeste/Centro-Oeste e demais regiões devem apresentar preços próximos. Para as próximas semanas, preços continuam em elevação e devemos atingir o teto regulatório, possivelmente já em julho.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para junho/2021

Gráfico 5 | Fonte: Elaboração Exata Energia

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Histórico PLD 2018, PLD 2019 e PLD 2020

Gráfico 6 | Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

Consumo sobe mais de 10% nos primeiros dias de maio

Em boletim apresentado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), foi registrado um aumento de 10,5% no consumo de energia elétrica nos primeiros quinze dias de maio. O número corrobora com a taxa crescente de aumento no consumo nos últimos 10 meses, refletindo uma retomada da economia em alguns segmentos do país.

Para especialistas, pressão hídrica deverá continuar em junho

As projeções de precipitação para o mês de junho demonstram que o cenário não deve sofrer grandes alterações ao longo do mês, com baixos volumes de chuvas. A expectativa é de que os reservatórios do Sudeste, chegue no final do mês com 28,8%. Essa condição, contribui que os preços de energia caminhem em patamares mais elevados.

Decreto regulamenta nova contratação de energia

Em meio a crescente preocupação com o cenário hidrológico, na última sexta-feira (28/05), foi publicado o Decreto 10.707. O documento, busca garantir o atendimento à demanda de potência do Sistema Interligado Nacional (SIN), por meio da contratação de energia por fontes térmicas e hídricas. O primeiro leilão sobre o tema, deverá acontecer ainda este ano.

CMSE autoriza novas medidas para poupar reservatórios

Após ter ampliado os limites de geração fora da ordem de mérito no início do mês de maio, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) autorizou novas medidas buscando poupar os reservatórios. Aprovadas na última semana, a nova medida prevê a implementação de uma flexibilização das restrições hidráulicas em importantes usinas do sistema. O objetivo é garantir que os reservatórios sejam preservados ao longo de 2021.

Perspectivas de médio prazo

Reservatórios

Com a frustração do período úmido e a atual conjuntura hidrológica nas principais bacias do sistema, confirma-se a expectativa de que os níveis dos reservatórios fiquem baixos em todo 2021, o que deve propiciar um alto nível de volatilidade nos preços ao longo do segundo semestre de 2021. Dependeremos de: (i) acionamento de térmicas; (ii) chuvas na região sul e (iii) boa performance das eólicas no decorrer do segundo semestre para minimizar o deplecionamento dos reservatórios até novembro/21.

Geração Fora da Ordem de Mérito

A decisão do CMSE para despachar usinas termelétricas fora da ordem de mérito (com custo maior que o PLD) e importação de energia do Uruguai e Argentina continuará contribuindo para a existência de Encargos para todos os consumidores (Livres e Cativos). Tal decisão reflete a preocupação dos agentes reguladores quanto a situação atual do sistema e no horizonte de médio prazo.

Padrão climático 2021

Devido a atual condição do sistema, será fundamental monitorar o cenário meteorológico no submercado Sul, pois essa será a única região que se pode esperar algum evento de precipitação mais relevante no decorrer do período seco. É esperado a ausência de fenômenos climáticos relevantes no segundo semestre, o que pode ajudar a regularizar as chuvas na Região Sul. No entanto, a previsibilidade tende a ser baixa. Espera-se que com o fim da La Niña, possamos observar o retorno gradual das chuvas no Sul, o que será fundamental para o período seco e transição para o próximo período úmido.