Boletim Mensal - Julho 2022

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Julho 2022

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Reservatórios

Desde o início do período seco (maio/22) a redução do volume de chuvas interrompeu a elevação dos níveis de armazenamento que vinha sendo observada até então. No entanto, as baixas temperaturas observadas e o bom volume de chuvas no subsistema Sul foram suficientes para evitar um deplecionamento significativo dos reservatórios.
O mês de julho, por outro lado, foi marcado pela redução das chuvas, inclusive no subsistema Sul, e temperaturas mais elevadas que as registradas em junho, levando a um deplecionamento mais agressivo do armazenamento do SIN. Tal padrão deve se manter ao longo dos próximos meses, podendo ocorrer um deplecionamento mais ou menos severo em função da temperatura observada.
Em termos de perspectivas futuras, é notável que nos encontramos em uma situação significativamente mais confortável que a observada nos últimos anos (Gráfico 2), mitigando as chances de estresse ao longo dos próximos meses. No entanto, é importante monitorar a evolução da taxa de deplecionamento do SIN, tendo em vista que uma queda mais agressiva dos reservatórios associada ao eventual atraso do período úmido pode levar a um cenário de estresse de preços.

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Trajetória Prevista de Armazenamento julho/2022 a dezembro/2022

Gráfico 1

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Nível dos reservatórios por subsistema no dia 18/07/2022 e 18/07/2021.

Gráfico 2

Carga

Diferentemente do observado nos últimos meses, o mês de julho apresentou temperaturas mais amenas, superiores às observadas em maio e junho, contribuindo para elevação da carga. Além disso, mesmo diante do cenário de elevada incerteza econômica, o operador tem destacado o bom desempenho dos setores comerciais, de serviços e, mais recentemente, da indústria, como fatores adicionais relevantes para esse cenário. Com isso, as projeções mais atualizadas do operador são de que a carga de julho feche o mês ligeiramente acima da observada em junho, mas ainda abaixo do previsto pelo operador.
Vale lembrar que as projeções de consumo para os próximos anos foram apresentadas na 1ª Revisão Quadrimestral de Carga em abril/22. Na época, o arrefecimento da economia em relação ao previsto no início do ano, a alta da inflação, os gargalos na cadeia de suprimentos e o elevado nível de incertezas no cenário internacional contribuíram para redução das previsões de carga.
Até o dia 10 de agosto, no entanto, deve ser divulgada a 2ª Revisão Quadrimestral de Carga e as perspectivas econômicas seguem como principal fator de incerteza para as previsões. Apesar da melhora nas projeções de PIB para 2022, desde abril ocorreu também uma deterioração das perspectivas para os anos seguintes, além do aumento da inflação tanto no cenário nacional quanto internacional. Adicionalmente, permanecem as incertezas relacionadas ao conflito entre Rússia e Ucrânia e aos impactos da COVID-19 no setor produtivo. Todos esses fatores agregam incertezas às projeções de carga, sendo importante monitorar a divulgação dos dados da próxima revisão.

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Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2022.

Gráfico 3 - *Expectativa do Operador Nacional do Sistema.

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Projeção de carga para o ciclo 2022-2026.

Gráfico 4

Meteorologia

Devido à atuação de um bloqueio atmosférico sobre o continente, o mês de julho foi marcado pela ausência de chuvas significativas em praticamente todas as bacias do Sistema Interligado Nacional (SIN). Tal cenário se refletiu no deplecionamento mais agressivo dos reservatórios e na elevação do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças).
Para o restante do mês, apesar de ainda poder ocorrer alguma chuva no extremo sul do país, não há indicação dos modelos de volumes significativos do ponto de vista hidroenergético. Assim, a perspectiva é de novas chuvas significativas apenas a partir do início de agosto. Vale destacar, no entanto, que, devido à volatilidade das chuvas no subsistema Sul, é importante monitorar as previsões continuamente.
Para os demais subsistemas, a perspectiva é majoritariamente de continuidade do cenário seco. A exceção pode ocorrer para as bacias do sul do subsistema Sudeste/Centro-Oeste (Paraná e Paranapanema), que podem também ser atingidas por frentes frias e causar impacto na ENA.

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Preços

Os níveis de armazenamento atuais, a carga reduzida e a elevada ENA do Sul levaram a continuidade do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) próximo do piso regulatório (R$55,71/MWh) em junho. Em julho, no entanto, com a redução das chuvas e acentuação da taxa de deplecionamento dos reservatórios, o PLD já saiu do piso, atingindo R$59,00/MWh na segunda revisão do mês, com perspectiva de aumento nas próximas semanas (Gráfico 5).
Conforme avançamos no período seco, crescem também as chances de elevação do PLD, mas é importante monitorar a ocorrência de novas chuvas no S, que podem contribuir para manter o preço em patamares reduzidos por mais tempo. Diante do cenário favorável atual, o risco de estresse de preços se concentra no último trimestre do ano, dependendo da qualidade das chuvas na transição para o período úmido, sendo este um importante ponto de monitoramento.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para julho/2022

Gráfico 5 – Fonte: Elaboração Exata Energia

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Histórico do PLD de 2019 a 2022

Gráfico 6 – Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

Lei sobre devolução de tributos é sancionada

A Lei 14.385, responsável por tratar da devolução de valores de tributos recolhidos a maior pelas distribuidoras, foi sancionada nas últimas semanas. O texto trata dos valores pagos a mais pelos consumidores decorrente da incidência do ICMS sobre a base de cálculos do PIS e Cofins. Esses valores deverão continuar sendo devolvidos via tarifa de energia.

Lei que limita o ICMS da conta de energia

As contas de energia elétrica deverão ser impactadas por uma nova medida. Com o texto da Lei Complementar no 194 aprovado, a alíquota de impostos estaduais deverá ser reduzida para 17%. O documento aprovado estabelece que combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações são considerados bens e serviços essenciais, e por isso, possuem alíquota fixa.

Recursos da Eletrobras começam a ser inseridos nas tarifas

Com o processo de capitalização da Eletrobras iniciado no mês de junho, os recursos adquiridos com a operação começaram a ser inseridos na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para amortização tarifária. O impacto observado nas tarifas está próximo de -2% para as distribuidoras com reajustes já aprovados em 2022.

Aneel aprova novos adicionais para as Bandeiras Tarifárias

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou os novos valores adicionais para as bandeiras tarifárias durante o biênio 2022-2023. Os novos valores conduzem um efeito médio de aumento para todos os patamares, sendo 59% para bandeira amarela, 64% para vermelha patamar 1 e 3% para vermelha patamar 2.

PERSPECTIVAS DE MÉDIO PRAZO

Reservatórios

Conforme esperado no período seco, os reservatórios começaram a apresentar um aumento da taxa de deplecionamento em julho. Ao longo dos próximos meses a perspectiva é de continuidade desse cenário, sendo importante monitorar sua evolução, tendo em vista que o nível de armazenamento no início do próximo período úmido será um importante balizador para os preços tanto do último trimestre quanto de 2023.

Padrão climático 2022

Projeções do pacífico indicam um cenário de La Niña fraca ao longo dos próximos meses, cenário que pode desfavorecer a ocorrência de chuvas acima da média no subsistema Sul e afetar a transição para o início do período úmido, o que deve ser monitorado.

Evolução da Carga

Conforme mencionado anteriormente, nas próximas semanas o operador deve divulgar a 2ª Revisão Quadrimestral de Carga de 2022. Nesse contexto, além do impacto de questões meteorológicas de difícil previsibilidade, fatores econômicos têm agregado grande incerteza às projeções de carga: por um lado, é notável a melhora nas projeções de curto prazo e, por outro, a piora nas projeções para os próximos anos. Por fim, é importante notar o crescimento significativo da micro e minigeração distribuída nesse ano, que pode contribuir para redução da carga observada no SIN, mas para o qual ainda não há monitoramento apropriado. Todos esses fatores agregam incertezas às projeções de carga para os próximos meses, sendo um importante ponto de monitoramento.