Boletim Mensal - Julho 2021

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Julho 2021

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Reservatórios

Com o estabelecimento e a atuação de um bloqueio atmosférico nas últimas semanas, quase todas as regiões do país apresentaram tempo seco e sem eventos de chuvas na primeira quinzena de julho. Essa condição contribui ainda mais para a criticidade do cenário atual, deplecionando os reservatórios de todos os submercados. Para as próximas semanas, espera-se eventos de precipitações mais espaçados em algumas bacias do Sul e Sudeste, que não contribuirão de forma significativa para os reservatórios da região. Os eventos de chuvas deverão ocorrer sobre as bacias de Itaipu, Paranapanema e Uruguai até o final de julho. Já para o Nordeste e Norte, a expectativa de seguir sua trajetória sazonal com poucas chuvas segue até início do período úmido.
Os reservatórios continuam em deplecionamento e projeções mantem probabilidade de atingirmos os menores níveis do histórico até o fim do ano. Assim, o governo estabeleceu em julho a Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (CREG) através da Medida Provisória 1055/2021. Esse Comitê terá poderes para tomas decisões mais ágeis no sentido de minimizar a geração hídrica e maximizar a geração de outras fontes até o fim de 2021.

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Trajetória Prevista de Armazenamento julho/2021 a dezembro/2021

Gráfico 1 – Limite Inferior e Superior

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Nível dos reservatórios por subsistema no dia 13/07/2021 e 13/07/2020.

Gráfico 2

Carga

Com uma clara sinalização da retomada da economia indicada pelas sucessivas revisões de expectativa do PIB pelo Banco Central, o consumo de energia no mês de julho apresentou um ligeiro aumento quando comparado a expectativa do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), destacada no Gráfico 3. Essa tendência de retomada da economia ainda se mostra heterogênea entre os setores, e a sua completa estabilização ainda deverá ser influenciada pela resposta da vacinação e o cenário macroeconômico do país.
No dia 24 de março de 2021, foi divulgada ao mercado a Primeira Revisão de Carga Quadrimestral para o ciclo de planejamento da operação de 2021 a 2025. Os dados, como destacados no Gráfico 04, demonstram uma ligeira expectativa de redução do consumo no país quando comparada as projeções anteriores. As principais justificativas estão associadas ao arrefecimento do ritmo de recuperação, redução da expectativa de produção industrial e o alto nível de incerteza no cenário econômico.
Já na próxima revisão de carga, que deverá ser realizada no mês de agosto, há ao menos duas variáveis a serem consideradas no atual cenário. A primeira delas está atrelada a retomada da economia, influenciada pela aceleração na vacinação da população e pela melhora dos indicadores macroeconômicos. Já a segunda variável se refere a possíveis mecanismos de resposta da demanda que venham a ser implementados para enfrentamento da crise hídrica. Governo sinaliza para a necessidade de mecanismos que incentivem o deslocamento do pico de consumo, o que pode mudar o padrão de consumo global. No entanto, ainda não houve formalização de proposta.

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Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2021.

Gráfico 3 | Expectativa do Operador Nacional do Sistema

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Projeção de carga para o ciclo 2021-2025.

Gráfico 4

Meteorologia

Durante os primeiros quinze dias de Julho, em decorrência de um bloqueio atmosférico, não houve grande evento de precipitação ao longo de todo o país. Já nestes últimos quinze dias, com o rompimento do bloqueio, poderão ocorrer alguns eventos de precipitações no Sudeste e Sul do Brasil, mas esses não deverão ser significativos.
Para o horizonte de médio e longo prazo, ainda que os dados não tenham alto nível de confiabilidade em função do tempo para sua realização, as novas simulações indicam uma possível melhora do cenário de precipitações com a chegada da primavera, devendo ocorrer alguns volumes mais significativos durante o mês de setembro. No entanto, destaca-se que o prolongado período de estiagem pode interferir na resposta hidrológica desses eventos, quando ocorrerem.
A Agência Americana de Monitoramento de Clima (NOAA) emitiu alerta para o desenvolvimento do fenômeno La Ninã no decorrer do segundo semestre, o que pode vir a afetar negativamente o padrão de chuvas na região sul bem como a transição para o início do período úmido no sudeste. Tal alerta ainda é preliminar e deve ser monitorado, podendo afetar, especialmente, os meses de setembro/21 a novembro/21.

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Preços

O PLD do mês de junho seguiu a tendência de alta já observada nos últimos meses. Os preços para o Sudeste/Centro-Oeste alcançaram o valor de R$ 336,99, indicando uma alta de 54,09% quando comparado ao mês anterior. Já o Sul, apresentou um PLD de R$ 336,99 (alta de 49,01%), Nordeste R$ 328,76 (alta de 73,65%) e Norte R$ 335,72, (alta de 77,52%). Para o mês de julho, em função do agravamento da crise hídrica existente e do aumento do consumo da eletricidade no país, espera-se que o preço de energia para todos os submercados atinja o teto regulatório, alcançando o valor de R$ 583,88/MWh. Uma mudança desta conjuntura para os próximos meses fica condicionada a eventos anômalos de precipitação, que historicamente, possuem baixas probabilidades de ocorrência. Espera-se que o teto regulatório se mantenha no mês de agosto de 2021.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para julho/2021

Gráfico 5 | Elaboração Exata Energia

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Histórico PLD 2018, PLD 2019 e PLD 2020

Gráfico 6 | Elaboração Exata Energia

Notícias

Preços do último mês se aproximam do teto regulatório

Com o encerramento do mês do junho, foram apresentados os novos valores de PLD médio, exibindo um aumento superior a 50% em todos os submercados. Embora hoje seja utilizada a precificação horária na contabilização, o preço médio é uma ótima referência para os agentes. Os submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul apresentaram um valor de R$ 336,99/MWh, enquanto o Nordeste R$ 328,76/MWh e o submercado Norte R$ 335,72/MWh.

Segundo ONS, reservatórios podem atingir 10% em novembro

Em novo estudo apresentado pela entidade do setor, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirmou que mesmo com as ações prevista pelo CMSE é possível que se alcance os patamares de 10,3% nos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste em novembro de 2021. Sem as ações destacadas, o número pode se estabilizar em 7%

Consumo de energia segue tendência de alta

Reflexo de uma maior flexibilização na economia e da retomada de alguns segmentos industriais, o consumo de energia no mês de junho seguiu a tendência de alta já observada nos últimos meses. Os novos números, demonstram que só na primeira quinzena de junho, o aumento foi de 6,8% quando comparado com o mesmo mês no último ano.

MME realiza consulta pública para geração térmica

O Ministério de Minas e Energia (MME) realizou consulta pública buscando subsídios para elaboração de nova contratação de térmicas no Sistema Interligado Nacional (SIN). A consulta deverá contribuir para uma possível portaria que será publicada pelo MME e está alinhada as medidas de enfrentamento da crise hídrica nacional.

Perspectivas de médio prazo

Reservatórios

Com a frustração do período úmido e a atual conjuntura hidrológica nas principais bacias do sistema, confirma-se a expectativa de
que os níveis dos reservatórios fiquem baixos em todo 2021, o que deve propiciar um alto nível de volatilidade nos preços ao longo do segundo semestre de 2021. Dependeremos de: (i) acionamento de térmicas; (ii) chuvas na região sul e (iii) boa performance das eólicas no decorrer do segundo semestre.

Gestão da Crise hídrica

Criação da CREG (MP 1055/2021) é mais uma das ações focadas em gerenciar a crise hídrica pelo lado da oferta.
Governo também sinaliza criar mecanismos no sentido de incentivar o deslocamento do consumo nos horários de maior demanda, no entanto, tal mecanismo ainda não foi apresentado e é aguardado pelo mercado.

Padrão climático 2021

Devido a atual condição do sistema, será fundamental monitorar o cenário meteorológico no submercado Sul, pois
essa será a única região que se pode esperar algum evento de precipitação mais relevante no decorrer do período seco. No entanto, com a elevação da probabilidade de voltarmos a uma La Niña, reduz-se a chance de um início de período úmido favorável, reforçando a necessidade de se continuar as medidas de gestão da crise hídrica apresentados, bem como se buscar implementar planos de ação adicionais.