Boletim Mensal - Janeiro 2022

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Janeiro 2022

Boletim Mensal

Reservatórios

Final de dezembro e, em especial, primeira quinzena de janeiro apresentou volumes elevados de precipitação nas regiões onde se encontram os principais reservatórios do SIN, resultando na elevação significativa dos níveis de armazenamento.
O bom volume de chuvas observado nas bacias do Grande e Paranaíba permitiu uma boa recuperação dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, que chegou a apresentar aumento diário do armazenamento de 1 p.p. e já atingiu valores superior ao máximo observado em 2021 (35,7%, 10/04/2021). Com isso, o armazenamento do SIN saiu do nível crítico em que se encontrava para patamares relativamente confortáveis para a época do ano.
Levando em consideração que ainda restam alguns meses do período úmido, mesmo que não ocorram volumes tão elevados de precipitação quanto na primeira quinzena de janeiro, ainda são esperadas chuvas ao longo dos próximos meses. Com isso e dada a condição atual favorável, projeções apontam continuidade da elevação dos níveis de armazenamento, embora a ocorrência de eventuais períodos prolongados sem chuva possa impactar a evolução do cenário.

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Trajetória Prevista de Armazenamento fevereiro/2022 a maio/2022

Gráfico 1 - Limite Inferior e Superior

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Nível dos reservatórios por subsistema no dia 17/01/2022 e 17/01/2021

Gráfico 2

Carga

Seguindo a tendência observada em dezembro, mês de janeiro apresentou temperaturas atipicamente baixas para época do ano, resultando na diminuição da carga do SIN, que ficou significativamente abaixo do previsto pelo operador. Com isso, houve também uma revisão dos valores previstos para o restante do mês, com perspectiva de que a carga de janeiro fique 1,75 GWmed abaixo da projeção inicial.
Economicamente, operador destacou que indicadores tem dado sinais de uma recuperação inferior à esperada, fator que também tem contribuído para redução da carga. Apesar disso, perspectiva de diminuição do volume de chuvas e aumento da temperatura em boa parte do país nas próximas semanas deve contribuir para a elevação da carga do SIN em relação ao observado na primeira quinzena do mês.
Em novembro a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), apresentaram as projeções de carga para o período de 2022-2026. A retomada econômica mais lenta observada no segundo semestre de 2021, a política monetária mais restritiva adotada para controle da inflação e incertezas relacionadas à situação fiscal no país levaram à redução das projeções de PIB e, consequentemente, da carga para os próximos anos, conforme apresentado no Gráfico 4.

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Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2022. *Expectativa do Operador Nacional do Sistema. *Expectativa do Operador Nacional do Sistema.

Gráfico 3

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Projeção de carga para o ciclo 2022-2026.

Gráfico 4

Meteorologia

Conforme observado anteriormente, primeira quinzena de janeiro apresentou volume significativo de chuvas no Sudeste/Centro-Oeste, Norte e Nordeste, sendo que neste último a precipitação observada já está acima do valor médio típico do mês inteiro. É importante notar também o locacional das chuvas nos Sudeste/Centro-Oeste: nessas últimas semanas maiores volumes se concentraram justamente nas regiões de cabeceira do Grande e Paranaíba – região especialmente relevante do ponto de vista energético e que foi muito penalizada ao longo de 2021.
Para o restante do mês, a atuação de um sistema de alta pressão deve contribuir para diminuição do volume de chuva tanto no Sudeste/Centro-Oeste quanto no Nordeste e Norte, sendo possível que ocorram chuvas no subsistema Sul e em bacias mais o sul do Sudeste/Centro-Oeste. No entanto, tal padrão não deve se manter posteriormente, sendo esperado que voltem a ocorrer chuvas mais significativas nos demais subsistemas a partir do fim de janeiro/início de fevereiro.
No longo prazo, com o enfraquecimento do La Niña comportamento da chuva dos próximos meses passa a depender de maneira mais significativa de variáveis de menor previsibilidade, aumentando a incerteza das previsões, tornando ainda mais relevante o monitoramento.

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Preços

Conforme era de se esperar diante do volume de chuvas e da recuperação de armazenamento observada, PLD de janeiro se manteve baixo, atingindo o piso regulatório (R$55,70/MWh) em diversos momentos do dia. Além disso, elevação da ENA e armazenamento do N e NE tem causado descolamento do preço destes subsistemas. Assim, o preço médio da última semana operativa atingiu R$57,09/MWh no Sudeste/Centro-Oeste, R$57,11/MWh no Sul, R$56,22/MWh no Nordeste e R$55,70/MWh no Norte.
Para os próximos meses, bom nível de armazenamento e elevação da ENA deve favorecer a continuidade de preços baixos. No entanto, não é possível descartar a ocorrência de preços elevados caso ocorram períodos mais longos sem chuvas. Além disso, é importante destacar que o armazenamento do Sul permanece em níveis baixos e que o atingimento do Volume Mínimo Operativo (30%) pode causar eventuais oscilações de preço.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para janeiro/2022

Gráfico 5 – Fonte: Elaboração Exata Energia

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Histórico do PLD de 2019 a 2022

Gráfico 6 – Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

PLD de dezembro segue próximo do piso

O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) para o mês de dezembro foi de R$ 67,00/MWh para os submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul. Os submercados Nordeste e Norte exibiram um pequeno descolamento, com preços de R$ 66,46/MWh e R$ 66,31/MWh, respectivamente. Os valores conduzem uma queda maior do que 20% sobre o PLD do mês de novembro.

Custo de segurança energética ultrapassa R$ 20 bi

Resultado de uma das maiores crises hídricas do histórico existente, o custo do despacho por segurança energética deverá ser de R$ 24,3 bilhões no ano de 2021. Deste total, mais de R$ 21,8 bilhões representam custos atrelados ao Encargo de Serviço do Sistema (ESS), grandeza que contribuiu para um aumento significativo das contas dos clientes.

CMSE altera política operativa para usinas termelétricas

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) vai manter as medidas excepcionais para o atendimento à carga e a garantia do atendimento em 2022. A geração termelétrica estará, no entanto, limitada a 15 mil MW médios ao longo dos próximos meses. A medida deverá garantir um encargo ESS em patamares mais baixos.

Governo publica MP para as distribuidoras

O Governo Federal publicou uma Medida Provisória para um novo empréstimo para as distribuidoras. A MP 1.078 deverá socorrer as distribuidoras de energia em virtude do desequilíbrio financeiro causado pela crise hídrica. Os empréstimos deverão ser realizados com um pool de bancos e serão administrados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.

Perspectivas de médio prazo

Reservatórios

Bom volume de chuvas observado no período úmido até agora e, em especial, na primeira quinzena de janeiro, permitiu elevação significativa dos níveis de armazenamento, tirando SIN do estado crítico em que se encontrava. Com alguns meses do período úmido ainda pela frente, é possível atingirmos níveis confortáveis de armazenamento para o início do próximo período seco, sendo importante monitorar evolução dos reservatórios.

Gestão da Crise hídrica

Apesar da melhora da condição hidrológica ter levado o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) a limitar o despacho de térmicas por garantia energética a usinas de menor custo, comitê ainda se manifestou pela continuidade das medidas excepcionais para garantia da segurança energética. Com isso, encargos ainda devem permanecer em alta, apesar de inferiores ao observado nos últimos meses.

Padrão climático 2022

Projeções de temperatura do pacífico apresentaram revisão prolongando duração do La Niña em 2022. Apesar disso, ainda há perspectiva de transição para neutralidade durante o segundo trimestre. Nesse contexto, confirmação da transição para neutralidade diminui chances de ocorrência de baixo volume de chuvas no Sul durante o período seco, apesar de não garantir necessariamente um cenário otimista.