Boletim Mensal - Janeiro 2021

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Janeiro 2021

Boletim Mensal

Reservatórios

Embora o começo de janeiro tenha sido caracterizado pela atuação de uma frente fria sobre o Sudeste do Brasil, com acumulados de chuvas sobre os estados Minas Gerais, Paraná e São Paulo, a recuperação dos principais reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste vem ocorrendo, mas em uma taxa de elevação inferior ao desejado para a época.
Já em relação aos demais submercados, os reservatórios do Sul e Nordeste se mantiveram estáveis durante as primeiras semanas de janeiro, contudo, os níveis apresentados estão abaixo do esperado para a época ano. A situação dos reservatórios é agravada desde o final do ano passado, quando ocorreu o atraso para o início das chuvas e consequente umidificação do solo.
Vale destacar que, desde o ano passado, por determinação do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), usinas térmicas estão sendo despachadas fora da ordem de mérito para ajudar a recuperação dos reservatórios. A perspectiva, observada no Gráfico 1, é que os reservatórios comecem a se reestabelecer nos próximos meses e sua recuperação irá depender da qualidade e localidade das próximas chuvas.

1

Trajetória Prevista de Armazenamento 
janeiro/2021 a junho/2021 – Limite Inferior e Superior

Gráfico 1

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Nível dos reservatórios por subsistema no dia 17/01/2021 e 17/01/2020

Gráfico 2

Carga

No Gráfico 3 é possível observar a projeção de carga para todo o horizonte de 2021, comparando-a aos últimos três anos.
O consumo de eletricidade no Sistema Interligado Nacional (SIN) durante o mês de dezembro apresentou uma elevação quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. Essa característica, influenciada pela retomada da economia é resultado também do aumento expressivo de temperatura em algumas regiões do país, como destaca o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O aumento de temperatura e a continuidade da produção em diversas empresas do país, sem o recesso de final de ano, contribuíram para um consumo mais elevado em dezembro de 2020 quando comparado com os anos anteriores.
No dia 30 de novembro/20 foi divulgado ao mercado o Planejamento Anual da Operação Energética para o período de 2021 até 2025, com o intuito de adequar as projeções de carga para o próximo ciclo. Como pode ser observado no Gráfico 4, os valores aprovados apresentaram pouca variação, demonstrando que a perspectivas dos órgãos responsáveis são praticamente iguais a última revisão. A próxima alteração na projeção de carga deverá ocorrer em março/21.

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Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2021.

Gráfico 3 | *Expectativa do Operador Nacional do Sistema.

4

Projeção de carga para o ciclo 2021-2025.

Gráfico 4

Meteorologia

Como destacado na seção de reservatórios deste relatório, com os resultados dos regimes de precipitações observados até a presente data do mês, as primeiras semanas de janeiro apresentaram bons volumes de chuva, mas ainda insuficientes para uma reversão completa de cenário. Desde dezembro já ocorreram ao menos duas ZCAS (Zona de Convergencia do Atlantico Sul), mas a resposta hidrológica ainda está abaixo da média histórica, reflexo ainda das poucas chuvas em outubro e, principalmente, novembro.
Para o submercado Sudeste/Centro-Oeste, espera-se para as próximas semanas, que os padrões de chuvas observados não sofram grandes alterações, mantendo-se o que foi observado recentemente. Para fevereiro e março, os modelos climáticos indicam um padrão típico de verão e ainda é possível que ocorram novas ZCAS, favorecendo os principais reservatórios da região.
Já para o Sul, os eventos de frente frias neste submercado beneficiaram especialmente a bacia do Rio Iguaçu, sustentando seus níveis de reservatórios e ainda se esperam eventos favoráveis de chuvas na região, ainda que pontuais. No entanto, para os próximos meses, os índices de precipitação devem-se manter ligeiramente abaixo da média.
Finalmente, para os submercados Nordeste e Norte, a chuvas realizadas ainda estão abaixo da média histórica, mas espera-se uma melhora nos próximos meses em razão, principalmente, da continuidade do fenômeno La Niña.

5

Meteorologia

Preços

O valor do PLD médio mensal de dezembro/20 foi 267,49 R$/MWh para quase todos os submercados, com exceção do submercado Nordeste, que apresentou um leve descolamento, com um PLD médio de 265,01 R$/MWh.
Os preços para janeiro de 2021, seguiram uma tendência sem grandes variações durante o mês atual, mantendo-se nos patamares encontrados durante o mês antecedente. Espera-se que os preços não apresentem um comportamento tão anômalo até o fechamento de janeiro, sendo resultado especialmente do cenário climatológico encontrado no país.
Por fim, destaca-se ainda que a partir deste mês, os preços no mercado de energia seguem uma granularidade horária. Essa nova metodologia de precificação, busca uma melhor sinalização econômica no mercado, aprimorando a representação da matriz energética e do consumo de energia no país.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para janeiro/2021

Fonte: Elaboração Exata Energia

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Histórico PLD 2018, PLD 2019 e PLD 2020

Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

Preços de energia elétrica seguem patamares elevados em dezembro

A continuação de realizações pessimistas nas afluências no Sistema Interligado Nacional (SIN), além do baixo nível de armazenamento nos reservatórios, contribuíram para que os preços de energia elétrica se mantivessem em patamares elevados. Para a última semana do mês de dezembro, o PLD foi valorado em R$ 223,29/MWh, representando um aumento de 13% em comparação com a semana antecedente.

Previsão de chuvas e consumo recuam para o mês de janeiro

De acordo com a primeira revisão do Planejamento Mensal da Operação (PMO), atividade realizada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o mês de janeiro deve apresentar uma retração nas vazões de água nos reservatórios e níveis mais baixos de consumo de energia elétrica em todo o país.

ANEEL aprova projeto de Resposta da demanda em todo o país

No último mês, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), aprovou o mecanismo de resposta da demanda em todo o país. A medida, que vigorava até então em algumas localidades do Brasil, tem como principal objetivo buscar uma maior participação dos consumidores na estrutura tarifária, contribuindo para a modernização do setor elétrico.

EPE apresenta diretrizes para a expansão da matriz energética

Recentemente, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), apresentou as diretrizes para expansão do parque gerador no horizonte de 2026 a 2030. A instituição demonstra que as iniciativas terão como base os requisitos do sistema, contribuindo para a contratação de geradores com as melhores características técnicas para atender a demanda de energia elétrica.

Perspectivas de médio prazo

Reservatórios

Para fevereiro e março, espera-se um comportamento mais semelhante ao encontrado no período úmido, com bons volumes de chuva sobre o Sudeste/Centro-Oeste. No entanto, destaca-se ainda que estamos em níveis de reservatórios críticos para a época do ano e a incerteza quanto aos volumes de chuvas para os próximos meses acendem um sinal de alerta para o cenário energético de 2021.

Período Úmido

O cenário meteorológico aponta para um período de La Niña fraca até meados de 2021, como pode ser observado nas primeiras semanas de janeiro. Para o segundo trimestre é esperado um cenário de neutralidade, sem La Niña ou El Niño estabelecido, o que pode contribui para o retorno das chuvas na Região Sul, mas ainda de forma não sustentada.

Limites do PLD

Como já é de conhecimento, o PLD para 2021 será calculado na base horária. Além disso, os limites, máximo e mínimo, são atualizados anualmente segundo metodologia da ANEEL. Para 2021 os valores serão: PLD mínimo igual a 49,77 R$/MWh e PLD máximo Estrutural igual a 583,88 R$/MWh e Máximo horário 1.197,87 R$/MWh.