Boletim Mensal - Fevereiro 2022

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Fevereiro 2022

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Reservatórios

Seguindo o padrão observado desde o início do período úmido, o mês de fevereiro apresentou bom volume de chuvas em regiões importantes para recuperação do armazenamento do SIN, especialmente nas bacias do Grande e Paranaíba, fator que se refletiu na melhora das projeções de armazenamento e na queda de preços.
Conforme o Gráfico 1 demonstra, a continuidade das chuvas permitiu uma melhora considerável no nível dos reservatórios e, assim, o armazenamento do SIN já atingiu patamares significativamente superiores ao observado nos últimos anos, trazendo relativo conforto em termos de segurança energética para o restante do período úmido.
Apesar de os meses de março e abril tipicamente apresentarem menor volume de precipitação que o trimestre DJF, considerando que que não há perspectiva de interrupção das chuvas e a grande disponibilidade de energia do Norte e Nordeste, projeções apontam continuidade da elevação do armazenamento nos próximos meses, o que deve favorecer um cenário de preços baixos no restante do período úmido.

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Trajetória Prevista de Armazenamento março/2022 a junho/2022 – Limite Inferior e Superior

Gráfico 1

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Nível dos reservatórios por subsistema no dia 17/02/2022 e 17/02/2021.

Gráfico 2

Carga

Além do cenário meteorológico de continuidade das chuvas, desde dezembro de 2021 a temperatura em boa parte do país tem permanecido abaixo do esperado para época do ano, especialmente no Sudeste/Centro-Oeste e Sul. Tal cenário se repetiu em fevereiro, impactando a carga do SIN, que mais uma vez deve fechar o mês abaixo do previsto inicialmente pelo operador.
Adicionalmente, vale destacar observações do operador de que o ritmo de recuperação econômica, mais lento que o esperado, bem como a alta nos custos de insumo e produção tem impactado a produção industrial e o setor de serviços, contribuindo para redução da carga do país.
Em novembro a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), apresentaram as projeções de carga para o período de 2022-2026. Na época, a retomada econômica mais lenta observada no segundo semestre de 2021, a política monetária mais restritiva adotada para controle da inflação e incertezas relacionadas à situação fiscal no país levaram à redução das projeções de PIB e, consequentemente, da carga para os próximos anos, conforme apresentado no Gráfico 4.

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Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2022.

Gráfico 3 - *Expectativa do Operador Nacional do Sistema.

4

Projeção de carga para o ciclo 2022-2026.

Gráfico 4

Meteorologia

Assim como janeiro, o mês de fevereiro apresentou bons volumes de chuva, com anomalias positivas de precipitação observadas tanto na bacia do Grande e Paranaíba quanto nos subsistemas Nordeste e Norte. (Figura 2, abaixo). No Sul, por outro lado, chuvas têm ficado consideravelmente abaixo da média, penalizando os reservatórios deste subsistema, que já está próximo de seu volume mínimo operativo.
Para o restante de fevereiro e início de março, apesar de ser natural que ocorra uma redução do volume de chuvas em relação ao observado nos últimos meses, modelos ainda apresentam previsão de precipitação, sendo possível que ocorram bons volumes no Sudeste/Centro-Oeste. Dado que o armazenamento do SIN já se encontra em níveis relativamente confortáveis, será importante monitorar o volume de chuvas realizado no restante do período úmido, tendo em vista que a continuidade da recuperação dos reservatórios diminui ainda mais a chance de estresse operativo e de preços durante o período seco.
No longo prazo, vale destacar que modelos tem postergado duração do La Niña. Apesar deste não ser um fator decisivo por si só para a climatologia do período seco, a continuidade deste fenômeno diminuí a chances de ocorrência de chuvas acima da média no subsistema Sul e em bacias mais ao sul do Sudeste/Centro-Oeste.

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Preços

Resultado dos bons volumes de precipitações sobre regiões importantes para os reservatórios do SIN, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) médio do mês de janeiro se encerrou em patamares ligeiramente superiores ao piso regulatório. Os preços do mês em questão alcançaram o valor de R$ 62,91/MWh para o submercado Sudeste/Centro-Oeste, R$ 62,92/MWh para o Sul, R$ 57,22/MWh para o Nordeste e R$ 55,71/MWh para o Norte. Os descolamentos observados se devem aos limites de transmissão entre os submercados.
Para os próximos meses, as chances de uma mudança conjuntural no cenário de preços são baixas. Eventos que poderiam trazer impactos significativos, como bloqueios atmosféricos ou fenômenos desta natureza, perdem suas forçantes nos próximos meses, o que, alinhado a um excelente cenário de armazenamento dos reservatórios, como observado atualmente, minimiza as chances de uma eventual reversão de preços. A expectativa para o mês de fevereiro é que o PLD seja o piso regulatório em todos os submercados.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para fevereiro/2022

Gráfico 5 - Fonte: Elaboração Exata Energia

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Histórico do PLD de 2019 a 2022

Gráfico 6 – Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

PLD de janeiro segue em patamares baixos

O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) para todos os submercados seguiu a tendência de queda já destacada anteriormente. O PLD para o submercado
Sudeste foi de R$ 62,91/MWh, enquanto para o Sul foi de R$ 62,92/MWh. Para a região Norte e Nordeste, houve um descolamento superior a cinco reais, sendo R$ 55,71/MWh e R$ 57,22/MWh, respectivamente.

CMSE aprova limites de geração

Em reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), o órgão estabeleceu um novo limite para o despacho adicional de energia térmica. O novo valor de geração não poderá ultrapassar 10mil MW médios, somado com a geração de importação. O CMSE aprovou ainda que só poderão ser aceitas usinas com Custo Variável Unitário de até R$ 600,00/MWh.

Novo PDE sinaliza 75 GW de expansão

O Ministério de Minas e Energia (MME) realizou a abertura de consulta pública para discutir possíveis aprimoramentos do Plano Decenal de Expansão de Energia 2031. A consulta, que deverá receber contribuições até o dia 23 de fevereiro, sinaliza que deverão ser realizados investimentos na ordem de R$ 528 bilhões nos próximos dez anos, com um aumento de 75 GW.

Tarifas no ACR devem impulsionar ambiente livre

Resultado de um dos piores anos do histórico hidrológico, as tarifas do ambiente regulado deverão impactar todos os consumidores do mercado cativo
em 2022. Com a alta da tarifa, o ambiente livre deverá apresentar mais um ano de bons resultados para os seus clientes, contribuindo para uma maior economia e melhor gestão da energia.

PERSPECTIVAS DE MÉDIO PRAZO

Reservatórios

A ocorrência de um dos melhores períodos úmidos do histórico recente permitiu a recuperação significativa dos reservatórios, que deve continuar ocorrendo, embora em menor escala, nos próximos meses. O cenário atual gera perspectiva de mantermos níveis confortáveis de armazenamento durante o período seco, favorecendo a manutenção de preços em patamares relativamente baixos.

Gestão da Crise hídrica

Com a melhora observada nas condições do SIN, o despacho térmico já foi consideravelmente reduzido ao longo de fevereiro, o que deve permitir a diminuição dos encargos resultantes da geração por garantia energética. No entanto, vale notar que, de acordo com medidas regulatórias definidas em 2021 para enfretamento da crise hídrica, ainda há expectativa de despacho térmico até abril de 2022. Além disso, a situação crítica no Sul pode eventualmente levar a medidas excepcionais do operador para preservação do armazenamento.

Padrão climático 2022

Projeções do pacífico seguem indicando continuidade do La Niña em 2022, com possibilidade de transição para neutralidade no segundo trimestre do ano. Apesar do fenômeno do La Niña isoladamente não ser suficiente para dar uma perspectiva clara de cenários, cabe notar que a continuidade do mesmo durante o período seco diminuí a chance de ocorrerem chuvas acima da média no subsistema Sul, fator especialmente relevante caso não ocorra uma recuperação deste subsistema nos próximos meses.