Boletim Mensal - Dezembro 2021

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Dezembro 2021

Boletim Mensal

RESERVATÓRIOS

Transição para o período úmido continuou com bom volume de chuvas entre novembro e dezembro, permitindo melhora do armazenamento do SIN, atingindo níveis superiores ao observado nos últimos dois anos. Na primeira quinzena de dezembro maiores volumes de chuva se concentraram em bacias mais ao norte, com baixo acumulado chuvas no Sudeste/Centro-Oeste – subsistema que detém aproximadamente 70% do armazenamento do SIN. Na última semana, no entanto, chuvas atingiram com maior intensidade o Sudeste/Centro-Oeste, resultando em variações diárias positivas de até 0,4 p.p. no armazenamento deste subsistema. Para o restante do mês, modelos indicam continuidade das chuvas, mas taxa de recuperação do armazenamento dependerá do locacional das mesmas, que podem não beneficiar tanto os reservatórios caso se desloquem muito para o norte. Com a leve recuperação propiciada pelas chuvas observadas e medidas operativas, houve uma melhora também nas projeções de longo prazo. No entanto, níveis de armazenamento seguem baixos e dependendo do restante do período úmido para recuperação, sendo que eventual frustração das chuvas pode levar a cenário de estresse operativo e de preços.

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Trajetória Prevista de Armazenamento dezembro/2021 a abril/2022 – Limite Inferior e Superior

Gráfico 1

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Nível dos reservatórios por subsistema no dia 21/12/2021 e 21/12/12/2020.

Gráfico 2

Carga

Primeiros meses da primavera foram marcados por temperaturas atipicamente baixas que auxiliaram na redução da carga do SIN, especialmente no subsistema Sudeste/Centro-Oeste. Durante o mês de dezembro padrão de temperaturas médias amenas se manteve, resultando na diminuição das projeções de carga no curto prazo. Ainda assim, última projeção do operador apresentou expectativa de carga abaixo do projetado no início do mês. No restante do mês, feriados de fim de ano e continuidade das chuvas, que tende a favorecer a ocorrência de temperaturas amenas, devem contribuir para manutenção de níveis de carga mais baixos. Economicamente, operador apontou que problemas na cadeia de suprimentos e incertezas de mercado tem contribuído para deterioração da saúde do setor industrial, sendo este mais um fator que tende a favorecer níveis de carga mais baixos. Em novembro a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE), apresentaram as projeções de carga para o período de 2022-2026. A retomada econômica mais lenta observada no segundo semestre de 2021, a política monetária mais restritiva adotada para controle da inflação e incertezas relacionadas à situação fiscal no país levaram à redução das projeções de PIB e, consequentemente, da carga para os próximos anos, conforme apresentado no Gráfico 4.

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Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2021.

Gráfico 3 | Expectativa do Operador Nacional do Sistema.

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Projeção de carga para o ciclo 2022-2026.

Gráfico 4

Meteorologia

Desde o início do período úmido, em outubro, continuaram a ocorrer chuvas em boa parte do país, sendo observadas anomalias positivas de precipitação no Norte, Nordeste e na região norte do Sudeste/Centro-Oeste. Até a segunda semana de dezembro, maiores volumes de precipitação se concentraram mais ao norte, com menor favorecimento das bacias dos rios Grande e Paranaíba, onde se encontram os principais reservatórios do SIN. Somente na última semana chuvas voltaram a atingir com maior intensidade tal região, permitindo aumento da taxa de recuperação do armazenamento. Para o restante do mês e início do próximo ano, modelos tem apresentado previsão de continuidade das chuvas, com perspectiva de bons volumes acumulados nos subsistemas Norte e Nordeste. No entanto, locacional das chuvas não está claro em relação às bacias do Sudeste/Centro-Oeste, sendo importante monitorar risco de deslocamento das chuvas mais ao norte, penalizando as bacias do Grande e Paranaíba. Para os próximos meses a previsão de enfraquecimento da La Niña aumenta a relevância de outros fatores climáticos de menor previsibilidade, agregando incerteza às previsões. Será importante monitorar o volume e locacional das chuvas em janeiro, tendo em vista que a ocorrência de janelas de dias sem chuva ou o deslocamento dos maiores volumes para regiões mais ao norte prejudicaria a recuperação do sistema, impactando a operação e preços.

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Preços

Com a continuidade das chuvas durante o período úmido, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) para os submercados Sudeste/Centro-Oeste, Norte e Sul, alcançou o patamar de R$ 88,10/MWh no mês de novembro (Nordeste exibiu um descolamento de R$ 0,02/MWh). Em termos percentuais, o valor já apresenta uma queda superior a 80% quando comparado com o mês de agosto, quando os preços alcançaram o teto regulatório e o país se encontrava em uma situação hidrológica de elevada criticidade. Para os próximos meses, embora as projeções calculadas não estimem uma alta probabilidade de aumento significativo de preços, é importante ter atenção para a situação em que se encontram os reservatórios. As chuvas das próximas semanas serão de fundamental importância para contribuir com o nível dos reservatórios e garantir um próximo trimestre mais confortável do ponto de vista de preços.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para dezembro/2021

Gráfico 5 - Fonte: Elaboração Exata Energia

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Histórico PLD 2018, PLD 2019 e PLD 2020

Gráfico 6 - Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

PLD médio de novembro exibe queda acentuada

Seguindo a tendência já observada nos últimos meses, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) médio para o mês de novembro exibiu uma queda acentuada. O PLD para a região Sudeste/Centro-Oeste, Norte e Sul foi de R$ 88,10/MWh, enquanto o Nordeste exibiu um preço de R$ 88,08/MWh. O cenário é resultado da melhora das precipitações no país.

Atualização da projeção da carga é apresentada ao mercado

Na última terça-feira (30/11), em uma parceria da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a previsão de carga para os próximos anos foi apresentada ao mercado. Os dados demonstram uma desaceleração no consumo de energia nacional.

ONS aponta melhora do cenário hidrológico no país

Em estudo do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o cenário traçado mostra uma melhoria nas afluências das regiões Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Norte do Brasil. A nova avaliação da entidade aponta que o início da transição para o período chuvoso ocorreu no tempo correto, com bons eventos de precipitação já em outubro.

Recurso para as distribuidoras poderá auxiliar as tarifas

Em estimativas de diferentes players, um novo empréstimo de R$ 15 bilhões para as distribuidoras poderá auxiliar a conter o aumento das tarifas para 2022. O novo mecanismo, ainda em estudo na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), deverá ser realizado em parceria com um pool de bancos, à exemplo do que foi realizado na Conta Covid.

Perspectivas de médio prazo

Reservatórios

Continuidade das chuvas nos últimos meses permitiu
melhora do armazenamento do SIN, especialmente no Sudeste/Centro- Oeste. Apesar disso, reservatórios permanecem com volume baixo e as chuvas do primeiro trimestre serão fundamentais para recuperação estrutural do SIN. Nesse contexto, é importante monitorar o volume e o locacional das chuvas, tendo em vista que a frustração das mesmas pode levar novamente a um cenário de estresse em 2022.

Gestão da Crise hídrica

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) sinalizou que, em virtude da disponibilidade de energia do
Norte e da mitigação do cenário de crise, o despacho por garantia energética será reduzido. No entanto, tanto o CMSE quanto o operador do sistema já afirmaram que farão uso de tais recursos caso ocorra nova deterioração do cenário. Nesse sentido, apesar de ser esperada uma diminuição de encargos em relação ao observado nos últimos meses, valor ainda deve permanecer relativamente alto.

Padrão climático 2021/22

Enfraquecimento da La Niña durante o
primeiro trimestre de 2022 agrega incertezas às previsões, mas cenário ainda é favorável à ocorrência de chuvas entre janeiro e fevereiro. Cabe destacar, no entanto, que há uma incerteza maior quanto ao locacional das chuvas, com risco de deslocamento para regiões mais ao norte, penalizando o Sudeste/Centro-Oeste.