Boletim Mensal - Agosto 2021

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Agosto 2021

Boletim Mensal

Reservatórios

A climatologia do mês de agosto é marcada por baixos volumes de precipitações ao longo de quase todo território nacional. A exceção para esses eventos, se concentra na região Sul, onde historicamente sempre ocorrem alguns episódios de chuvas em decorrência das frentes frias localizadas. Neste ano, as chuvas no sul do país têm frustrado as expectativas, contribuindo para um contínuo deplecionamento dos reservatórios, como observado nas últimas semanas.
Com o solo seco e a expectativa de que as chuvas ganhem mais força somente no próximo mês, a transição do período seco para o período úmido ganhará uma importância significativa para o cenário energético de 2022.
Para os demais submercados, o deplecionamento dos reservatórios seguiu o padrão já destacado nas últimas edições do boletim. Uma mudança estrutural de cenário continuará dependente da qualidade da transição entre período seco e úmido, o que tipicamente ocorre no mês de outubro. Sendo assim, continuaremos entre os piores níveis de armazenamento do histórico, o que representará um desafio à operação do sistema, especialmente nos meses de outubro e novembro.

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Trajetória Prevista de Armazenamento agosto/2021 a dezembro/2021

Gráfico 1 – Limite Inferior e Superior

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Nível dos reservatórios por subsistema no dia 15/08/2021 e 15/08/2020

Gráfico 2

Carga

Com os números da pandemia caindo e a vacinação em ritmo acelerado nas principais cidades do país, a economia e o consumo de energia seguem em uma tendência de alta. De modo geral, nos primeiros meses do ano, a retomada da economia apresentava-se bastante heterogênea entre os diversos setores, sendo em grande parte influenciada pela economia internacional e a alta do câmbio. Já no segundo trimestre, mesmo com margens de ganhos ainda em patamares inferiores ao pré-pandemia, os números demonstraram resultados mais uniformes entre os diversos setores, o que contribuiu para um aumento do consumo de energia em todas as regiões do país. Essa característica, somada ainda a chegada da primavera e o aumento de temperatura nas capitais brasileiras, contribuirá para possível aumento do consumo de energia ao longo dos próximos meses.
Na última semana do mês de julho, foi apresentada pela parceria entre a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a segunda Revisão Quadrimestral da Carga para o Planejamento Anual da Operação Energética (2021-2025). Os novos dados, influenciados especialmente pela retomada da atividade econômica no país, contribuíram para um aumento da expectativa de consumo durante todo o horizonte de estudo. Os novos números demonstram que houve um aumento percentual de 1,43% para 2021 quando comparado a última revisão, representando um aumento de 1 GW médio no consumo nacional. As demais taxas para o horizonte em análise podem ser encontradas no Gráfico 04.

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Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2021.

Gráfico 3 – De agosto a dezembro considera-se a 2º Revisão Quadrimestral de carga

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Projeção de carga para o ciclo 2021-2025.

Gráfico 4

Meteorologia

Com exceção do submercado sul, com alguns poucos eventos de precipitação na última semana, os demais submercados não apresentaram chuvas de grande qualidade em suas principais bacias. Este comportamento é típico para a época do ano.
Para o Sudeste, observa-se o predomínio do tempo seco nos próximos dias, mas não se descarta possíveis eventos de chuvas localizadas. O cenário tende mudar de forma sustentada ao fim de setembro e início de outubro, quando os modelos climáticos indicam um possível retorno das chuvas. Isso porque já é uma época em que se espera que a umidade da região amazônica passe a contribuir para os eventos de precipitações sobre essa região.
Da mesma forma, no Norte e Nordeste, continua as condições secas com expectativas de chuvas apenas a partir de outubro. Já para o submercado Sul, espera-se que até o fim de agosto e início de setembro, o padrão seco se reverta e observe-se maior frequência de precipitações sob a região.
Por fim, é importante frisar que o solo está seco devido ao prolongado número de dias sem chuvas. Com isso, a ocorrência de precipitações não necessariamente representará resposta hidrológica imediata e dependeremos de uma sequência de chuvas para uma reversão sustentada do cenário adverso atual.

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Preços

Em função da crise hídrica nacional, o preço do mês de julho se manteve no teto regulatório em todos os submercados, alcançando um aumento superior a 70% quando compara do PLD do mês anterior. A continuidade deste cenário, deverá fazer com que o preço do mês de Agosto permaneça no teto (R$ 583,88/MWh).
Ainda neste tema, vale destacar que o Custo Marginal de Operação (CMO), calculado pelo Operador Nacional do Sistema e referência para o acionamento de térmicas, alcançou patamares superiores a R$ 3.000,00/MWh. Isso significa que os modelos computacionais usados para a operação do sistema estão indicando acionamento de todas as térmicas disponíveis.
Essa característica, corrobora com a criticidade atual e a necessidade das diversas ações e mecanismos já em execução no sentido de minimizar o deplecionamento dos reservatórios até o início do próximo período úmido.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para agosto/2021

Gráfico 5 – Fonte: Elaboração Exata Energia

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Histórico PLD 2018, PLD 2019 e PLD 2020

Gráfico 6 – Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

MME abre consulta pública para novo programa de resposta pela demanda

O Ministério de Minas e Energia (MME), em mais uma atuação para o enfrentamento da crise energética, realizou a abertura de consulta pública para um novo programa de Resposta da Demanda. A proposta em discussão permite que grandes consumidores possam negociar o volume de consumo durante determinadas horas do dia.

Regras da CREG são publicadas

No dia 20/07, o Governo Federal aprovou a Resolução Normativa nº 01/2021, de que trata das regras de funcionamento da Câmara de Regras Excepcional (CREG). O texto aprovado trata das competências e diretrizes para, em caráter excepcional e temporário, estabelecer limites de uso, armazenamento, vazão das usinas e eventuais medidas mitigadoras associadas.

Nova revisão de carga é apresentada pelo ONS

Em novos dados divulgados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a expectativa de crescimento da carga foi de 4,6% para 2021. Os resultados demonstram um crescimento de 1 GW médio em relação a última expectativa apurada no mês de março.

MME aprova novas mudanças nos modelos

O Ministério de Minas e Energia (MME) indicou que será publicada portaria com novas atualizações nos modelos de operação do sistema. As novas mudanças são: (i) entrada do VMinOp no modelo de operação Decomp e (ii) a atualização dos níveis do VMinOp nos modelos Newave e Decomp. Os parâmetros do CVaR (50,35) serão mantidos.

Perspectivas de médio prazo

Reservatórios

Mantida a expectativa de que os níveis dos reservatórios fiquem baixos em todo 2021 e devemos atingir níveis críticos entre outubro e novembro. Com a frustração das chuvas na região sul, dependeremos de: (i) maximização do uso de térmicas; (ii) performance das eólicas; (iii) qualidade da transição do próximo período úmido; (iv) efeito da retomada da economia no consumo.

Gestão da crise hídrica

A CREG (MP 1055/2021) continua tomando ações no sentido de gerenciar a crise hídrica pelo lado da oferta, com destaque para ações que viabilizam o acionamento de térmicas e maximizam o escoamento de energia eólica do nordeste. Além disso, governo sinaliza criar mecanismos de incentivo ao deslocamento do consumo nos horários de maior demanda. O tema já foi apresentado em Consulta Pública e a proposta final deve ser apresentada já nos próximos dias.

Padrão climático 2021

Submercado sul era a única região que se poderia esperar algum evento de precipitação mais relevante no decorrer do período seco, no entanto isso não ocorreu, o que dificultou ainda mais a operação do sistema. Ainda é possível que ocorram eventos de chuva na região sul que auxiliem a operação. No entanto, a partir de agora o mais importante será monitorar a qualidade do início do próximo período úmido, com destaque para as chuvas na região sudeste, onde estão os principais reservatórios.