Boletim Mensal - Abril 2022

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Abril 2022

Boletim Mensal

Reservatórios

Os meses de março e abril apresentaram redução das chuvas no Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte, diminuindo a taxa de recuperação dos reservatórios. Apesar disso, o armazenamento seguiu em elevação nesses subsistemas, atingindo o maior nível observado desde 2012 no Sudeste/Centro-Oeste. Além disso, chuvas no Sul levaram a recuperação do armazenamento, que saiu do estado preocupante em que se encontrava.
Com o fim de período úmido, padrão de redução de chuvas mais ao norte e avanço de frentes frias no Sul deve se manter nos próximos meses. Apesar disso, diante da disponibilidade de energia do Norte e Nordeste, que se encontram com níveis de reservatórios próximos da capacidade máxima, modelos indicam que o armazenamento deve continuar em elevação no Sudeste/Centro-Oeste nesse início de período seco.
No longo prazo, projeções apresentam perspectiva de que alcancemos a transição para o próximo período úmido com reservatórios em níveis relativamente confortáveis, com risco de estresse durante o período seco mais limitado a cenários de hidrologia pessimista. Com isso, maior risco de elevação de preços deve se concentrar no último trimestre, em função da qualidade da transição para o período úmido.

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Trajetória Prevista de Armazenamento abril/2022 a agosto/2022

Gráfico 1

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Nível dos reservatórios por subsistema no dia 23/04/2022 e 23/04/2021

Gráfico 2

Carga

Seguindo a sazonalidade do mês de abril, muito influenciada pela redução das temperaturas em todo o país, o consumo de energia apresentou uma tendência de queda quando comparado ao último mês. Além das variáveis climatológicas, a economia também tem se mostrado uma peça fundamental nessa redução da carga. O aumento da inflação no país e a desaceleração da atividade econômica industrial, influenciada pelo incremento da taxa de juros e por problemas na cadeia de suprimento, contribuíram para que os números do consumo apresentassem tal tendência. Com isso, espera-se que o consumo de abril apresente redução de 6,5% (dados estimados para o fim do mês) em relação a março.
Por fim, vale ressaltar que as projeções de consumo para os próximos anos foram apresentadas na 1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de Carga para o Planejamento Anual da Operação Energética (PLAN 2022-2026). Os números demonstram uma clara tendência de queda do consumo em função do complexo cenário existente na economia nacional. As principais justificativas estão associadas ao arrefecimento da economia, marcada sobretudo pelo alto nível de inflação e os gargalos na cadeia de suprimentos. Além disso, o elevado nível de incertezas no cenário internacional também influenciou a redução de consumo, com destaque para variáveis como o aumento dos preços dos commodities, a inflação nos Estados Unidos e Europa e os conflitos na região da Ucrânia.

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Evolução do consumo de energia elétrica do SIN previsto para 2022.

Gráfico 3 | *Expectativa do Operador Nacional do Sistema.

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Projeção de carga para o ciclo 2022-2026

Gráfico 4 | *Expectativa do Operador Nacional do Sistema.

Meteorologia

Conforme mencionado anteriormente, durante o mês de abril ocorreu uma mudança no padrão de chuvas, com redução do volume de precipitação observado nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte e aumento da frequência de chuvas no Sul.
Com o fim do período úmido, o padrão observado em abril deve se manter nos próximos meses, com aumento da frequência e volume de chuvas no Sul. No curto prazo, modelos preveem o avanço de novas frentes frias nos próximos dez dias, mas previsões mais recentes apresentam perspectiva de que maiores volumes se concentrem no extremo sul do país, atingindo com menor intensidade regiões de maior relevância do ponto de vista hidrológico.
Nesse contexto, a partir de agora será especialmente importante monitorar as previsões para o sul não apenas em relação ao volume, mas também quanto ao locacional das chuvas. Devido ao cenário de La Niña, há um risco maior das chuvas avançarem menos pelo país, permanecendo fora das bacias mais relevantes energeticamente para o SIN.

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Preços

Seguindo a tendência já observada nos últimos meses, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) médio para mês de Março se mante no piso regulatório (R$ 55,70/MWh). O valor é reflexo da conjuntura energética nacional, marcada por bons volumes de chuvas ao longo do último período úmido. Esse cenário contribuiu para que os reservatórios alcançassem excelentes níveis, o que deverá ser de grande relevância durante o período seco que se inicia neste mês.
Com o início do período seco, algumas variáveis deverão ganhar mais relevância na dinâmica dos preços para os próximos meses. Nesse novo período, é de fundamental importância acompanhar a dinâmica dos reservatórios, sobretudo com relação às taxas de deplecionamento, influenciadas pelo consumo de energia. Essa variável terá um papel crucial durante a transição do período seco para úmido (entre terceiro e quatro trimestre), uma vez que em um cenário de baixos volumes nos reservatórios e um eventual atraso da entrada das chuvas, os preços no mercado podem apresentar um aumento substancial em seus patamares.

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Evolução PLD semanal e previsão de fechamento para abril/2022

Gráfico 5 | Fonte: Elaboração Exata Energia

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Histórico do PLD de 2019 a 2022

Gráfico 6 | Fonte: Elaboração Exata Energia

Notícias

PLD médio segue no piso regulatório

Com o encerramento do mês março, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) médio foi de R$ 55,70 (piso regulatório) para todos os submercados. O excelente cenário hidrológico no país contribuiu para que durante o mês de março fosse observado piso regulatório em todos os horários do mês, alinhado ao preço já observado no mês de fevereiro. A expectativa dos agentes é que nos próximos meses o preço siga nos patamares destacados anteriormente.

Geração solar atinge marca importante no sistema

Com investimentos na casa de R$ 74,6 bi nos últimos anos, a geração solar bateu mais um recorde no país. O Brasil acaba de ultrapassar a marca de 14 GW de potência instalada, sendo comparável com a usina hidrelétrica de Itaipu. Segundo especialistas do setor, o segmento espera que o ano apresente excelentes números de geração, sendo influenciados especialmente pelo marco da geração no país, a Lei nº 14.300/2022.

Aneel aprova empréstimo para as distribuidoras

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou um empréstimo financeiro para as distribuidoras de energia elétrica. A nova operação realizada em função do descasamento de caixa atrelado ao cenário de escassez hídrica no último ano, apresentou um total de R$ 5,3 bilhões para a primeira tranche do empréstimo, contemplando o déficit da Conta Bandeira, pagamento do bônus de RVD e importação de energia da Argentina e Uruguai.

CMSE suspende geração fora da ordem de mérito

Em nova reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), o grupo revogou a autorização para a geração de energia por usinas termelétricas fora da ordem de mérito, interrompendo também a cobrança da Bandeira de Escassez Hídrica. A medida deverá contribuir para uma redução significativa do Encargo de Serviço do Sistema (ESS).

Perspectivas de Médio Prazo

Reservatórios

Bom volume de chuvas durante o período úmido levou a excelentes níveis de armazenamento no Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Até março o subsistema Sul ainda permanecia como ponto de preocupação, mas as chuvas dos últimos meses permitiram recuperação significativa dos reservatórios. Com isso, chegamos ao início do período seco com níveis confortáveis de armazenamento que devem assegurar preços relativamente comportados durante os próximos meses.

Padrão climático 2022

Pacífico segue com padrão de temperaturas característico do fenômeno La Niña e com projeções aumentando probabilidade de continuidade do mesmo. Com isso, apesar deste fenômeno não ser um fator determinante para o padrão de chuvas, há maior chance de penalização do volume e frequência das mesmas no subsistema sul durante os primeiros meses do período seco.

Aprimoramento de Modelos

CPAMP divulgou em abril os resultados da Consulta Pública 121/2022, a respeito dos aprimoramentos propostos para os modelos de formação de preço, aprovando – com pequenos ajustes – as mudanças apresentadas inicialmente. As alterações propostas visam dar maior peso ao histórico de chuvas recente nas projeções de vazão e aumentar a aversão a risco dos modelos, levando ao aumento dos preços de 2023. Com a aprovação das mudanças, os produtos de 2023 voltaram a adquirir maior liquidez no mercado, sendo este um dos fatores que contribuiu para redução dos preços de longo prazo.