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SETOR DE ENERGIA ATINGE NÍVEIS DE POLUIÇÃO DE 2011

QUEIMADAS NA AMAZÔNIA E CERRADO, NO ENTANTO, ELEVAM OS NÍVEIS DE EMISSÃO DO PAÍS

Pesquisa registra diminuição de 4,5% nas emissões do setor de energia em 2020

Cinco setores da economia responsáveis pelas emissões no Brasil foram foco de um estudo realizado pelo Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima. O segmento de energia brasileiro conseguiu uma redução de 4,5% das emissões de gases de efeito estufa em 2020.

Também foram analisados setores como agropecuária, processos industriais e uso de produtos e mudanças de uso da terra e florestas. Contrariando a tendência global de redução de gases poluentes, principalmente por causa da pandemia, o Brasil aumentou essas emissões em 9,5%, enquanto a média global foi de redução de 7%. Foram calculadas pelo SEEG 2,16 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalentes (GtCO2e) às emissões nacionais brutas em 2020, contra 1,97 bilhão no ano anterior.

A queima de combustíveis em atividades como transportes, indústria e geração de eletricidade foi considerada no estudo que aponta que 18% das emissões do País em 2020 ficaram a cargo do segmento. Houve queda acentuada de 4,6% em relação a 2019, principalmente por causa da queda na produção industrial e a redução do uso de transportes coletivos e individuais nos primeiros meses de pandemia. Registrando quase 394 milhões de toneladas de CO2, o setor energético regressou aos patamares de emissão de 2011.

O pesquisador Felipe Barcellos, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), avalia que “o setor de energia foi aquele que apresentou a maior queda percentual de emissões em 2020. Esse resultado é um claro reflexo da diminuição de atividades emissoras devido à pandemia de Covid-19, quando foi necessário que as pessoas evitassem se deslocar. Destaca-se a diminuição de emissões nos transportes de passageiros. O consumo de combustível na aviação caiu pela metade. A demanda por gasolina e etanol também diminuiu de maneira relevante”.

A maior queda absoluta foi dos transportes. Contudo, a maior queda percentual veio do subsetor de geração de eletricidade, que reúne as emissões provenientes da queima de combustíveis em usinas termelétricas. O total emitido na atividade teve queda de 11% entre 2019 e 2020.

Elevação nas fontes renováveis

Em relação à demanda por eletricidade no Brasil, a variação foi tímida em relação ao ano anterior, com apenas -0,8%. As hidrelétricas mantiveram a geração em níveis constantes (-0,4%), mas as fontes renováveis expandiram sua presença com elevação de 7,6%. Desta forma, foi possível reduzir a geração através de termelétricas em 11,1%. Assim, as emissões da geração de energia elétrica caíram de 51,8 milhões de toneladas de gases de efeito estufa em 2019 para 46,2 milhões em 2020.

Para 2021, os pesquisadores temem que haverá aumento nas emissões na geração de energia, puxado, principalmente, pela maior necessidade de acionamento de térmicas que utilizam combustíveis fósseis, em razão da crise hídrica que afeta diretamente as hidrelétricas.

O coordenador do SEEG e do MapBiomas, Tasso Azevedo, comenta que o segmento responsável pela elevação da curva, e que fez do Brasil talvez o único país a aumentar emissões em um período de suspensão de atividades como a pandemia, é o setor de mudança de uso de terra. Evidenciadas, em grande parte, pelo desmatamento da Amazônia e no Cerrado (que somados, correspondem a 90% das emissões do setor), as mudanças de uso da terra emitiram 998 milhões de toneladas de CO2e em 2020, um aumento de 24% em relação a 2019 (807 milhões).

O coordenador avalia que “com o desmatamento da Amazônia e do Cerrado que nós tivemos ano passado, nem a redução que houve no setor de energia foi capaz de reduzir as emissões no Brasil”.

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