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PANDEMIA E SETOR ELÉTRICO

PANDEMIA DESAFIA ESTRUTURA E CONSISTÊNCIA DO SETOR ELÉTRICO

Estrutura e consistência do setor elétrico são desafiadas frente à pandemia

Devido à restrição das atividades econômicas, o consumo de energia regressou dois dígitos desde o início das medidas de isolamento social. Nestes quase dois meses, o Produto Interno Bruto (PIB), que antes estimava crescer em 2%, apresenta agora uma probabilidade de 5% de recuo. Embora alguns contratos estejam sendo renegociados e os leilões tenham sido adiados, antecedendo a revisão de carga pela qual o País terá de passar, a importância do funcionamento do setor para combater a pandemia, viabilizando a atividade de hospitais e serviços essenciais, evidenciou a necessidade de suporte às distribuidoras. É necessário perseverar e agir adequadamente nos negócios agora para que haja, minimamente, oportunidades após a crise.

O cenário sugere que as atenções do mercado estejam voltadas ao enfrentamento da crise neste ano, com estimativas de retomada em 2021. Antepondo esta avaliação, a vice-presidente e analista sênior da Moody’s, Cristiane Spercel, encara o contexto de 2020 como um momento de desafios, revelando uma recuperação de 3,3% de crescimento no PIB no decorrer do próximo ano após a queda estimada, conforme o que foi divulgado pelo Ministério da Economia.

Sendo este o segmento que reúne valores para transmissão e geração de energia e arrecada, inclusive, valores para o poder público através de encargos e impostos, Cristiane diz haver consciência por parte dos reguladores e do governo da atuação essencial do setor. Em sua fala, cita a MP 950 e ações adotadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) como possíveis estratégias de mitigação dos impactos, mas ressalta a necessidade de novas ações no caso do prolongamento da retração financeira e econômica.

As apostas para o momento distribuem-se em três focos, segundo analistas: o GSF, que está em votação em Plenário no Senado através do PL 3.975 para destravar R$ 8 bilhões acumulados; a não ruptura de contratos vigentes, supondo a possibilidade de renegociação entre os envolvidos; e evitar o cruzamento de subsídios entre as categorias de consumidores pelas medidas de curto prazo.

Embora o comportamento de outros países possa ser tomado como parâmetro para o Brasil após a pandemia, outros fatores devem ser considerados para além da estimativa de retomada das atividades. Para avaliar mais precisamente a condição da economia para os próximos anos, é necessário compreender quais serão os hábitos de consumo de produtos e serviços sobrepostos ao nível de desemprego ao fim da crise. As análises apontam para uma inflexão da curva econômica em “U” para 2021, com crescimento significativo apenas no ano seguinte.

Bernardo Bezerra, diretor técnico da PSR, aponta três principais pontos que devem ser avaliados no contexto atual. O primeiro, que diz respeito ao pós-pandemia ainda este ano, é o cuidado na atenção direcionada à competitividade das indústrias nacionais e no reestabelecimento econômico do País, visto que diversos dos custos podem ser atribuídos aos consumidores. O segundo é a avaliação real da necessidade do País de contratação de energia para daqui a cinco anos, sabendo que a inconsistência atual dificulta o cálculo de volumes neste prazo estimado. Por fim, o terceiro ponto é relativo à possibilidade de rever os preços dos ativos no Brasil, alterando a atratividade e somando a desvalorização do Real com a possível abertura de novo processo de M&A com investidores externos.

Considerando as medidas de isolamento mais recentes adotadas no Maranhão e no Pará e a crise política ainda sem perspectiva de rumo pela qual o Brasil está passando, Roland Berger julga improvável haver aumento no consumo de energia em 2020. Em sua consultoria, o executivo aponta uma projeção de crescimento somente em 2025, de acordo com o que bancos têm divulgado em relação à queda do PIB e à taxa de desemprego acima de 20%.

Em uma outra perspectiva, a adesão de plataformas digitais, aplicativos corporativos e sistema homeoffice, por exemplo, pode instigar pequenos e médios negócios a procurar formas alternativas de consumir energia. Somada ao apelo de redução nas contas e ao eventual aumento da tarifa no mercado regulado, aumentando a diferença de preços nos valores do ACL e ACR, a migração ao mercado livre será naturalmente estimulada, caminhando junto à possibilidade de autoprodução, micro e minigeração de energia e eficiência energética.

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