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SETOR VÊ POSSIBILIDADES E DESAFIOS

APONTADO COMO COMBUSTÍVEL DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA, HIDROGÊNIO VERDE TRAZ DESAFIOS

Desafios no horizonte do hidrogênio verde no Brasil

O desenvolvimento do mercado de hidrogênio verde apresenta desafios para sua expansão em cenário nacional. Considerado o combustível da transição energética, as dúvidas sobre o assunto vão de políticas e perspectivas a projetos e custos.

Em evento realizado no início de junho, foi divulgado que o mercado de H2 verde deve atingir entre 400 e 800 milhões de toneladas por ano em 2050, o que vai representar entre 12% e 22% da demanda total de energia no mundo. Segundo as informações, um cálculo da Agência Internacional de Energia estima que o preço do quilo do h2 verde custe entre € 3,40 e € 5, enquanto o custo do cinza estaria em € 1,5 por quilo. A estimativa é que até 2030 os preços se encontrem.

Um estudo da Bloomberg indica que o Brasil já tem potencial para produzir o H2 verde mais barato do mundo. O custo nivelado ficaria entre US$ 1,7 e US$ 3 o quilo. Em 2030, esse custo cairia para US$ 1 o quilo.

Segundo a executiva Camila Ramos, o Nordeste brasileiro tem potencial para oferecer mais de 107 GW de projetos eólicos e solares para produção de hidrogênio verde até 2030. “O Brasil tem tudo para ser líder e abraçar esse desafio”, observa.

Ramos também apresentou estimativas que indicam que o hidrogênio verde será capaz de suprir 14% de toda a demanda energética dos Estados Unidos até 2050. Na União Europeia, que em 2050 quer ter uma economia net zero, o hidrogênio deverá responder por 24% da demanda de energia.

Na avaliação da presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), Elbia Gannoum, o potencial de atração de investimentos por conta do hidrogênio verde é enorme. Há, contudo, baixa demanda para viabilizar os projetos de fontes renováveis já autorizados. “Nosso problema é gestão do excesso de oferta, temos que ter competência para fazer a gestão da abundância”, alerta. Segundo Gannoum, a Associação está de olho nas novas tecnologias como a do H2 verde, porque elas acabam por trazer mercado para a fonte eólica. Ela pediu, ainda, um olhar sobre o deslocamento da curva de demanda, em um novo patamar para atender a demanda do energético verde de que o mundo necessita.

Em sua fala, o presidente executivo da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base, Venilton Tadini, destacou a importância do H2 verde para o futuro. Para ele, o movimento de transição energética foi acelerado por eventos como a COP, a pandemia e a Guerra da Ucrânia. Tadini considerou importante que já se estudem as cadeias de produção do hidrogênio para acelerar a eficiência do custo da produção e das condições de armazenagem e transporte do energético. “A estrutura que temos hoje é cara para transportar o H2 verde e pode pôr em risco a própria viabilidade do projeto, principalmente se destinado à exportação.”

Para o executivo, o Brasil tem potencial de exportador desde que se prepare de modo adequado, por meio de políticas públicas que permitam a inovação no segmento. Ele sugeriu uma política industrial para o setor, mas com a dosagem certa para propiciar o desenvolvimento em ritmo adequado, ao contrário do que aconteceu em setores como as telecomunicações e o petróleo da camada pré-sal. “O Brasil oscila em desvarios de ou excesso de proteção ou falta de entendimento do que é desenvolvimento em novos segmentos, com papel de indução do estado em novos segmentos”, explica.

Um estudo estratégico foi encomendado pela Associação Brasileira de Energia Solar e Fotovoltaica. O material deverá mapear os gargalos que as novas tecnologias, como o hidrogênio verde, passarão para ser implantadas no País. De acordo com o presidente executivo da Associação, Rodrigo Sauaia, caso pontos básicos como segurança jurídica e o custo dos eletrolisadores a preço de mercado não estejam equacionados, o potencial não será revertido em benefícios.

O executivo, assim como a presidente da ABEEólica, também pediu demanda, além de pleitear acesso a crédito e políticas públicas adequadas que permitam que o mercado esteja confiante para investir na tecnologia. “Se não tem demanda, não adianta ter política pública, porque não vai ter para quem vender o seu produto, seja hidrogênio, amônia ou outros que podem ser produzidos através dele”, comenta Sauaia, que também citou os memorandos de entendimento que vêm sendo assinados pelos estados. Ceará, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Piauí são alguns deles.

Carlos Brandão, presidente da Associação Brasileira de Armazenamento e Qualidade da Energia, classificou o H2 verde como uma indústria de transformação e não de exploração como óleo e gás, mas que será muito competitiva e com taxas de retornos menores. Ele chamou atenção para o custo da certificação do hidrogênio verde. “Isso vai ser uma trava, vai custar muito dinheiro para a gente. Estamos muito atrasados”, destacou. Outra advertência foi sobre o custo dos eletrolisadores, que hoje são, na sua maioria, produzidos na China.

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